A professora Maria Garcia, aos 93 anos, é uma referência no direito constitucional e completa em 2026 setenta anos de atuação na área jurídica e cinquenta anos lecionando. Em suas aulas, destaca a importância do código de ética na magistratura, considerando-o uma defesa para os juízes e uma garantia para a sociedade.
Reflexões sobre a ética na magistratura
Garcia, que continua lecionando três disciplinas neste semestre, enfatiza a relevância de um código de ética que previna situações de conflito de interesse, como a participação de juízes em julgamentos que envolvam familiares. Segundo ela, esse código serve como uma salvaguarda, evitando que juízes caiam em tentações.
A professora expressa apoio ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, em suas decisões que visam proibir a aposentadoria compulsória como punição para juízes e a suspensão de penduricalhos salariais. Para Maria, a ética deve ser um pilar central na atuação dos profissionais do direito.
A evolução das mulheres no direito
Maria Garcia recorda sua experiência na faculdade de direito da USP na década de 1950, onde havia apenas quatro ou cinco mulheres em sua turma. Ela celebra o aumento do número de mulheres nos cursos de direito ao longo dos anos, interpretando isso como um sinal positivo de progresso e igualdade de oportunidades.
Com uma carreira que começou na Procuradoria do Estado de São Paulo, Garcia também se destacou no campo da bioética e biodireito, atuando no Hospital das Clínicas da USP. Seu envolvimento com essas áreas surgiu a partir de sua paixão por discutir dilemas éticos contemporâneos, como aborto e eutanásia.
Visão crítica sobre a política atual
Questionada sobre as eleições, Maria expressa descontentamento com os candidatos disponíveis, destacando a necessidade de propostas mais robustas para o Brasil. Ela afirma que, na última eleição, votou em Lula, mas gostaria de ver uma maior diversidade de candidatos no cenário político.
Desafios e dilemas éticos
Em relação à legislação sobre aborto, Garcia se posiciona como contrária, mas reconhece a complexidade do tema. Ela acredita que a discussão deve ser aprofundada e que a vida é um processo que merece respeito desde a concepção até o fim.
Por fim, a professora ressalta a importância da educação e do conhecimento como ferramentas de libertação e transformação social. Com uma trajetória marcada pela dedicação ao ensino e à ética, Maria Garcia continua a inspirar gerações de estudantes no Brasil.
