A verdadeira preocupação para o mercado de trabalho atual não se resume ao avanço da inteligência artificial, mas sim à estagnação da economia global. Essa condição tem dificultado a criação de novas vagas de trabalho, em grande parte devido ao aumento da presença de serviços e ao crescimento lento da produtividade. Essa análise é de Aaron Benanav, historiador e sociólogo da Universidade de Cornell, autor do livro 'Automação e o Futuro do Trabalho', lançado no Brasil no final de 2025.
Impacto da IA no Mercado de Trabalho
Benanav observa que a inteligência artificial parece ter um efeito mais significativo sobre trabalhadores em início de carreira do que sobre aqueles com experiência intermediária. Essa dinâmica tem contribuído para a precarização do mercado, resultando em possíveis reduções salariais, especialmente em plataformas digitais como serviços de transporte e entrega.
Contradições no Uso da Tecnologia
Em sua entrevista, ele discute a crença de que a IA poderia facilitar o trabalho de iniciantes, mas aponta que a realidade demonstra o contrário. A IA tende a afetar mais os trabalhadores de entrada, gerando uma preocupação com a desqualificação digital, que permite aos empregadores uma maior gama de trabalhadores, resultando em salários mais baixos.
Estagnação Econômica e seus Efeitos
Benanav destaca que o problema real é a falta de crescimento econômico suficiente para criar empregos. Desde a década de 1970, houve uma migração significativa da força de trabalho da indústria para o setor de serviços, que apresenta taxas de crescimento de produtividade muito mais baixas. A promessa de que a IA poderia revolucionar os serviços não se concretizou, com muitas empresas ainda lutando para obter eficiência.
Precarização e Economia de Plataforma
No contexto da economia de plataformas, a situação se agrava. Embora essa economia tenha proporcionado alguma formalização de empregos informais, ela também serve como um laboratório para a desqualificação digital. As empresas utilizam tecnologia para monitorar e controlar os trabalhadores, resultando em um cenário onde a redução de salários se torna uma realidade comum.
Movimento pela Redução da Carga Horária
Benanav é favorável ao movimento que propõe a redução da jornada de trabalho para quatro dias por semana. Ele acredita que essa mudança pode aumentar a produtividade e o bem-estar dos trabalhadores, além de melhorar a qualidade dos empregos disponíveis. Com a diminuição da oferta de horas de trabalho, os trabalhadores podem ter mais poder de barganha, o que poderia levar a um aumento salarial.
