A busca por novas alternativas no tratamento da doença de Alzheimer tem levado a ciência a explorar substâncias menos convencionais. Um estudo recente, publicado na revista Frontiers in Neuroscience, investiga o efeito da psilocibina, um composto psicodélico encontrado em certos cogumelos, em uma paciente idosa no Brasil.
Resultados do tratamento
O caso analisado envolve uma mulher de 80 anos, em estágio avançado da doença, que apresentou uma melhora temporária em suas habilidades cognitivas e físicas após receber doses elevadas de psilocibina sob supervisão médica. Antes do tratamento, a paciente comunicava-se apenas com monossílabos e necessitava de assistência para atividades cotidianas.
Cerca de 19 horas após a primeira dose, equivalente a 5 gramas de cogumelos com psilocibina, a idosa começou a falar de forma espontânea e manteve essa capacidade por várias horas. Além disso, mostrou avanços no controle da bexiga, começou a andar sozinha e interagiu mais socialmente.
Segunda dose e novas melhorias
Diante do sucesso inicial, a equipe de pesquisadores, liderada pelo neurocientista Marcos Lago da USP, decidiu aplicar uma segunda dose de 3 gramas aproximadamente um mês depois. Durante essa nova sessão, a paciente permaneceu verbalmente ativa e expressou emoções ao recordar momentos significativos de sua vida.
Os pesquisadores notaram melhorias na expressividade facial, humor e na marcha da mulher, que até declarou que estava contente por estar presente. Outro fator importante foi a recuperação da continência urinária, uma função que depende da integração de áreas cerebrais específicas.
Considerações sobre o estudo
Embora os resultados sejam animadores, os autores do estudo enfatizam que se trata de uma observação inicial com uma única paciente e sem medições formais da evolução cognitiva. A atividade cerebral também não foi monitorada, o que limita as conclusões do trabalho.
Assim, os pesquisadores alertam que este estudo deve ser visto como um ponto de partida para futuras investigações controladas. O crescente interesse pela psilocibina no tratamento de condições neurológicas e psiquiátricas é notável, mas mais estudos são necessários para validar sua eficácia e segurança em pacientes com Alzheimer.
Próximos passos na pesquisa
Ensaios clínicos maiores e controlados são essenciais para entender melhor como a psilocibina pode beneficiar pessoas com Alzheimer. Um estudo piloto já está em andamento para investigar se a substância pode melhorar a qualidade de vida e reduzir sintomas depressivos em pacientes com comprometimento cognitivo leve ou Alzheimer em estágio inicial.
