A disfunção erétil é um tema que afeta uma parcela significativa da população masculina brasileira, especialmente entre os mais jovens. Estudo revela que 43,9% dos homens entre 18 e 39 anos enfrentam essa condição, desafiando a ideia de que é um problema exclusivo do envelhecimento. A pesquisa, publicada na Scielo, mostra que a prevalência chega a 45,1% nas diversas regiões do país.
Desconexão entre demanda e atendimento
Apesar da alta prevalência, a abordagem nas consultas médicas ainda é insuficiente. Um levantamento do Projeto Avaliar, publicado na Revista Brasileira de Medicina, aponta que apenas 27% dos pacientes foram questionados sobre sua saúde sexual, enquanto 81% acreditam que o tema deveria ser tratado em consultas médicas.
O Dr. Eduardo Miranda, urologista e especialista em saúde masculina, ressalta que a busca por ajuda tem aumentado, especialmente entre os homens mais jovens. Ele atribui essa mudança ao acesso à informação proporcionado pelas redes sociais, que fez com que muitos homens se tornassem mais conscientes sobre suas questões de saúde sexual.
Desafios na formação dos urologistas
Entretanto, essa crescente demanda enfrenta dois desafios principais. O primeiro é o modelo de atendimento no sistema de saúde, que muitas vezes não oferece a atenção necessária para a Medicina Sexual, que exige um tempo maior de escuta e uma abordagem individualizada. O segundo desafio está na formação dos urologistas, que tradicionalmente se concentram em áreas cirúrgicas e frequentemente não recebem o treinamento necessário para lidar com questões de saúde sexual.
O Dr. Miranda observa que a formação em urologia no Brasil é focada em procedimentos cirúrgicos complexos, deixando os profissionais despreparados para realizar uma anamnese sexual detalhada e um acompanhamento clínico eficaz. Isso resulta em atendimentos superficiais que não atendem às necessidades dos pacientes.
Iniciativa de formação online
Para suprir essa lacuna, foi criado o curso de pós-graduação online em Medicina Sexual dos Homens, pela Faculdade Focus, direcionado a urologistas. A proposta permite que médicos de qualquer região do Brasil acessem conteúdos atualizados e troquem experiências com especialistas, rompendo barreiras geográficas.
O Dr. Miranda destaca que, em muitos locais, os homens não têm acesso a profissionais especializados em saúde sexual, o que representa uma oportunidade para urologistas que desejam se especializar. Com a formação adequada, os médicos podem oferecer um atendimento mais completo e individualizado, aumentando sua segurança diagnóstica e arsenal terapêutico.
A saúde sexual como indicador de bem-estar
Além da importância clínica, a saúde sexual masculina está se tornando um indicador relevante de saúde geral. Estudos recentes, como uma publicação dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, sugerem que a função erétil pode ser um marcador de risco cardiovascular, sinalizando problemas de saúde antes mesmo de um diagnóstico cardíaco.
Com isso, a Medicina Sexual ganha uma nova dimensão na prática clínica, refletindo a interconexão entre saúde sexual e saúde geral do homem.




