No último seminário realizado em Belo Horizonte, o promotor de Justiça Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo, apresentou um panorama alarmante sobre o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo ele, a facção evoluiu de uma simples organização prisional para uma verdadeira "multinacional do crime", com um faturamento anual estimado em US$ 2 bilhões, equivalente a cerca de R$ 12 bilhões.
Transição para o Sistema Financeiro
Gakiya explicou que a falta de regulamentação e a ineficiência na fiscalização permitiram que o PCC se infiltrasse no sistema financeiro, utilizando fintechs e fundos de investimento para lavar dinheiro proveniente de atividades criminosas. Ele comparou essa situação com a do Rio de Janeiro, onde o Comando Vermelho ainda se utiliza de armamento pesado para proteger seu território, enquanto o PCC já consolidou sua presença em áreas urbanas.
Faturamento em Ascensão
De acordo com o promotor, a arrecadação do PCC passou de R$ 10 milhões por ano em 2012 para os atuais US$ 2 bilhões, impulsionada pela expansão do tráfico internacional de drogas. Esse salto financeiro foi facilitado pela falta de controle sobre as fintechs, onde era possível abrir empresas de pagamento com investimentos iniciais baixos, como R$ 80 mil.
Impacto da Operação Carbono Oculto
A Operação Carbono Oculto, realizada pelo Ministério Público de São Paulo, foi um marco na luta contra essa nova modalidade criminosa e trouxe à tona a necessidade de uma fiscalização mais rigorosa. Gakiya destacou que, após essa operação, órgãos como o Banco Central e a Receita Federal começaram a implementar novas portarias para combater a lavagem de dinheiro.
Estratégias do PCC
O promotor também alertou que, com o aumento da fiscalização sobre as fintechs, o PCC adaptou suas operações para estruturas ainda mais complexas, como fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs). Essa mudança torna a rastreabilidade dos recursos ilícitos ainda mais difícil.
Riscos para o Sistema Financeiro
Gakiya finalizou seu discurso alertando que a contaminação da cadeia bancária nacional por recursos do PCC pode resultar em sanções internacionais severas, incluindo a possibilidade de a facção ser classificada como uma organização terrorista pelos Estados Unidos. Esse cenário representa um risco significativo para a integridade do sistema financeiro brasileiro.
