No último sábado (13), o padre italiano Nazareno Lanciotti foi oficialmente beatificado em uma cerimônia realizada em Jauru, Mato Grosso. O reconhecimento do martírio do sacerdote acontece 25 anos após sua morte, quando ele foi assassinado em 2001 por denunciar a exploração sexual e lutar pelos direitos dos mais pobres.
Cerimônia de Beatificação
A beatificação é um passo significativo antes da canonização, que declara a pessoa como santa. Durante a cerimônia, o papa Leão 14 fez uma menção especial ao padre Lanciotti durante a oração do Angelus no Vaticano, ressaltando que ele foi um mártir que defendeu os necessitados em nome do evangelho.
A celebração em Jauru atraiu milhares de fiéis, incluindo caravanas de diversos estados do Brasil e até de países vizinhos como Peru e Argentina. O cardeal João Braz de Aviz, enviado pelo Vaticano, presidiu a missa e leu a carta apostólica que oficializou o reconhecimento do padre como mártir da Igreja Católica.
Impacto para a Comunidade
Para o padre Deusdédit Monge de Almeida, administrador da Arquidiocese de Cuiabá, a beatificação de Lanciotti representa um marco importante para Mato Grosso, que agora conta com seu primeiro beato. Ele enfatizou que a figura de Lanciotti deve servir como um exemplo a ser seguido por todos os cristãos e que a expectativa é de que muitas peregrinações ocorram na cidade de Jauru a partir de agora.
A devoção ao padre já é notável, com muitos fiéis visitando seu túmulo, localizado ao lado do altar da Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar, um local que se tornou um ponto de oração e agradecimento por graças atribuídas à sua intercessão.
História de Lanciotti
Nascido em Roma, Lanciotti chegou ao Brasil em 1971 e dedicou sua vida a construir comunidades e ajudar os necessitados. Ele fundou 57 comunidades eclesiais rurais, centros de assistência e uma escola para crianças. Sua luta contra a exploração sexual de jovens e sua defesa das comunidades mais pobres o tornaram uma figura respeitada e admirada.
Em 11 de fevereiro de 2001, ele foi assassinado durante um assalto na casa paroquial, onde tentaram extorquir dinheiro. Lanciotti foi baleado enquanto tentava proteger os presentes. Durante o processo que levou ao reconhecimento do martírio, testemunhos afirmaram que ele perdoou seus agressores antes de falecer.
Processo de Canonização
O caminho para a canonização envolve várias etapas. Após a morte, o falecido é chamado de Servo de Deus, seguido pela avaliação de sua vida e virtudes. Se as virtudes forem confirmadas, ele se torna Venerável. A beatificação requer a comprovação de um milagre, e a canonização exige um segundo milagre. O reconhecimento do martírio de Lanciotti foi autorizado pelo papa Francisco em 2025, pavimentando o caminho para sua beatificação.
