Os albatrozes e petréis estão entre as aves mais ameaçadas do planeta, destacando uma grave crise de conservação. Essa realidade foi lembrada no Dia Mundial do Albatroz, celebrado em 19 de junho, data que marca a vigência do Acordo para a Conservação dessas aves. O objetivo desse acordo é elevar a consciência sobre a biologia singular dos albatrozes e a necessidade urgente de sua proteção.
Desafios na Conservação
Metade das 22 espécies de albatrozes existentes no mundo frequenta as águas brasileiras em busca de alimento. A redução drástica de suas populações tem gerado preocupação entre pesquisadores e autoridades, que buscam maneiras de mitigar a captura incidental que ocorre na pesca de espinhel. Essa técnica utiliza longas linhas com anzóis que atraem peixes comerciais, mas também capturam albatrozes, resultando em mortes por afogamento.
Anualmente, cerca de 300 mil aves marinhas são acidentalmente capturadas pela pesca de espinhel, incluindo entre 30 a 40 mil albatrozes e petréis. No Brasil, aproximadamente 4 mil albatrozes perdem a vida devido a essa prática, principalmente em Santa Catarina e no Rio Grande do Sul.
Iniciativas do Projeto Albatroz
A bióloga Tatiana Neves, fundadora do Projeto Albatroz, enfatiza a necessidade de as frotas pesqueiras adotarem medidas rigorosas para mitigar essa questão. Desde sua criação em 1990, o projeto, que conta com o apoio da Petrobras, tem trabalhado na conservação dessas aves. Com bases de pesquisa em quatro estados brasileiros, o projeto também inaugurou um Centro de Visitação e Educação Ambiental em Cabo Frio, RJ, para promover a educação ambiental e a observação das aves.
Medidas Mitigadoras
Entre as estratégias propostas para reduzir a captura incidental estão a largada noturna dos anzóis, o uso de pesos de chumbo para afundar os anzóis mais rapidamente e a adoção do toriline, uma linha que espanta os pássaros. Conforme Tatiana, a implementação simultânea dessas medidas pode reduzir a captura em até 90%, mas a fiscalização efetiva ainda é um desafio, especialmente em alto-mar.
Fiscalização e Políticas Públicas
Atualmente, o Brasil conta com o Plano de Ação Nacional para a Conservação de Albatrozes e Petréis, coordenado pelo ICMBio, que busca mitigar a captura acidental e proteger áreas de reprodução. O Ibama já realiza ações de fiscalização, mas a efetividade na verificação de medidas como o toriline enfrenta dificuldades, uma vez que só podem ser monitoradas em alto-mar.
Monitoramento e Futuro da Conservação
Para melhorar a fiscalização, o governo está considerando a implementação de sistemas de monitoramento por câmeras. Iniciativas como o Programa Parceiros, que testou câmeras em barcos de pesca, mostram-se promissoras. Além disso, o uso de tecnologia de rastreamento por satélite pode ajudar a garantir o cumprimento da norma de largada noturna dos anzóis. Os albatrozes, que podem atingir 3,5 metros de envergadura, são frequentemente desconhecidos pela população em geral, mas suas ameaças à sobrevivência e a necessidade de conservação são urgentes.
