A taxa de mortes no trânsito associadas ao consumo de álcool no Brasil teve uma redução de 19,5% entre 2010 e 2024, porém, esse progresso recente foi ofuscado por um aumento de 6,2% nas fatalidades em 2024. Ao todo, 13.075 óbitos foram registrados, conforme análise do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), divulgada na véspera do Dia Nacional da Lei Seca, comemorado em 19 de junho.

Impacto da Lei Seca

Desde sua implementação em 2008, a Lei Seca tem sido reconhecida como uma das mais rigorosas do mundo e tem contribuído para a diminuição da mortalidade no trânsito. No entanto, especialistas afirmam que as medidas isoladas da legislação não são mais suficientes para manter a redução das mortes, principalmente diante do crescimento da frota de veículos, especialmente motocicletas, e da necessidade de uma fiscalização mais intensa.

Desafios da legislação

Embora a Lei Seca tenha diminuído a taxa de mortes atribuídas ao álcool, o número absoluto de vítimas voltou a crescer. Em 2025, o Brasil registrou 102.440 internações relacionadas a acidentes de trânsito envolvendo álcool, um aumento de 1,9% em comparação ao ano anterior. Especialistas acreditam que é crucial desenvolver estratégias de prevenção que foquem em ações direcionadas ao público masculino, que representa a maioria das vítimas.

Perfil das vítimas

Os dados de 2024 mostram que os homens foram responsáveis por 86,7% das mortes associadas ao álcool no trânsito e 81,8% das hospitalizações. Mariana Thibes, coordenadora do CISA, ressalta que a cultura de masculinidade está intimamente ligada ao consumo excessivo de álcool e à condução imprudente, exigindo campanhas de conscientização que desafiem essas normas sociais.

Aumento das motocicletas

Outro fator que agrava a situação é o aumento do uso de motocicletas. Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) revelou que 40% das mortes no trânsito em 2023 foram entre motociclistas. A complexidade do trânsito exige uma fiscalização mais eficaz e planejada, além de uma abordagem estratégica para identificar áreas e comportamentos de risco.

Desigualdades regionais

Em termos regionais, a análise do CISA identificou que Tocantins, Piauí e Mato Grosso possuem as maiores taxas de mortalidade por álcool no trânsito. Já Espírito Santo, Pará e Acre lideram em internações. Esses dados reforçam a necessidade de políticas adaptadas às realidades locais, uma vez que o impacto do álcool no trânsito varia significativamente entre os estados.

Recomendações de políticas públicas

Um estudo internacional recente sugere que, para reduzir efetivamente as mortes no trânsito, é essencial combinar leis mais rigorosas com fiscalização frequente, acesso rápido ao atendimento de emergência e estratégias de prevenção direcionadas aos grupos mais vulneráveis. Thibes destaca que, sem uma aplicação consistente das leis, o impacto na redução de mortes tende a ser limitado.