O Programa Minha Casa Minha Vida (MCMV) demonstra sua importância no mercado imobiliário brasileiro, sendo responsável por cerca de 49% das vendas de imóveis residenciais no primeiro trimestre de 2026. Esse dado foi revelado em um estudo da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), que avaliou 221 cidades do país.

Desempenho dos Vendas

No total, foram comercializadas 54.510 unidades sob o MCMV, o que destaca sua relevância não apenas como uma política social, mas também como um pilar do setor da construção civil. Ely Wertheim, vice-presidente da área da Indústria Imobiliária da CBIC, enfatizou que o programa também atende à classe média, tornando-se um motor para o desenvolvimento do setor.

Resiliência do Mercado

Apesar da Selic elevada em 14,5%, o mercado imobiliário mostra sinais de resiliência. No primeiro trimestre, foram vendidas 110.722 unidades, representando um crescimento de 4,1% em comparação ao mesmo período de 2025, embora tenha havido uma leve queda de 2,6% em relação ao trimestre anterior, um fenômeno sazonal segundo os especialistas.

Movimentação de Lançamentos

Por outro lado, os lançamentos de novos imóveis apresentaram uma desaceleração. Entre janeiro e março deste ano, foram lançadas 97.802 unidades, o que representa uma queda de 4,9% em relação ao ano anterior e uma retração mais acentuada de 32,1% comparado ao último trimestre de 2025, que normalmente é o mais ativo do ano. Contudo, o setor considera essa diminuição como algo natural.

Estoque de Imóveis

Ainda assim, o estoque de imóveis disponíveis se mantém saudável, com 350.891 unidades, um aumento de 8,2% ao longo de 12 meses, embora tenha registrado uma diminuição de 3,5% em relação ao trimestre anterior. A CBIC afirma que, se não houver novos lançamentos, o estoque atual poderia ser esgotado em cerca de 10 meses, um nível que é considerado confortável para o setor.

Expectativa de Compras

Uma pesquisa recente mostrou que 49% dos brasileiros planejam comprar um imóvel nos próximos 24 meses, um aumento em relação aos 44% do primeiro trimestre de 2025. Os principais motivos incluem a busca por sair do aluguel (38%), deixar a casa dos pais (12%) e investir em imóveis (13%). A preferência recai sobre casas de rua (47%), seguidas de apartamentos (35%).

Desafios no Horizonte

Apesar do bom desempenho do setor, há preocupações com riscos que podem impactar os custos e desacelerar o mercado. Entre os pontos de atenção estão o efeito da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos materiais de construção e incertezas relacionadas à reforma tributária. Além disso, mudanças nas regras trabalhistas podem elevar os custos de construção, especialmente em habitação popular, e os ataques ao FGTS geram apreensão no setor.