O papa Leão XIV lançou nesta segunda-feira (25) sua primeira encíclica, intitulada 'Magnifica Humanitas', onde faz um apelo pela proteção da dignidade humana frente ao crescimento da inteligência artificial (IA). O documento foi assinado em 15 de maio e analisa como a tecnologia impacta o trabalho, a comunicação, a política e os conflitos armados.
Apresentação da Encíclica
A encíclica foi apresentada no Vaticano, contando com a presença do papa e de importantes figuras da Igreja Católica, como o cardeal Víctor Manuel Fernández e o secretário de Estado Pietro Parolin. O evento teve também a participação de teólogas e especialistas em tecnologia.
O que é uma Encíclica?
Uma encíclica é um dos documentos mais significativos emitidos por um papa, abordando temas sociais e morais de interesse global. Diferente de outros textos que são direcionados apenas à hierarquia da Igreja, essas cartas se voltam para “todas as pessoas de boa vontade”. A encíclica 'Magnifica Humanitas' foca nos efeitos da IA sobre a dignidade humana e o trabalho.
Doutrina Social da Igreja e IA
Com 245 parágrafos organizados em cinco capítulos, a encíclica discute a necessidade de salvaguardar a pessoa humana na era da IA. O papa Leão XIV destaca a escolha crucial entre construir uma nova “torre de Babel” ou uma sociedade que valorize a cooperação e a dignidade. O documento argumenta que a tecnologia não é inerentemente negativa, mas também não é neutra.
Impacto da IA no Trabalho
Um dos focos da encíclica é o impacto da IA no mercado de trabalho. O papa enfatiza que a automação não deve levar ao desemprego em massa ou à precarização das relações trabalhistas. Ele defende que os sistemas tecnológicos devem ser criados com a pessoa humana em mente, e não apenas focados em lucro.
Condenação de Armas Autônomas
A encíclica também aborda o uso militar da IA, condenando armas autônomas letais e afirmando que decisões sobre vida e morte não devem ser delegadas a algoritmos. O papa resumiu essa preocupação ao afirmar: “É preciso desarmar a IA”. O documento propõe a superação da lógica da “guerra justa” em favor de diálogos e cooperação internacional.
