Minas Gerais dá um grande passo rumo à liderança no setor de minerais estratégicos com a recente inauguração do Centro de Pesquisa e Processamento de Terras Raras (CPTR) da Viridis, localizado em Poços de Caldas. A cerimônia, realizada na quinta-feira (28/5), marca um momento significativo para o estado, que se posiciona como um protagonista global na extração e processamento de terras raras.
Um projeto inovador
A nova unidade é considerada uma das maiores plantas semi-industriais fora da China, com foco no processamento contínuo de argilas iônicas para a produção de carbonato misto de terras raras (MREC). Este empreendimento faz parte do Projeto Colossus, liderado pela mineradora australiana Viridis, que já investiu cerca de R$ 200 milhões no estado.
Contribuição do Governo de Minas
A atuação do Governo de Minas, por meio da Invest Minas, foi fundamental para a instalação da planta. A agência buscou desburocratizar os processos e facilitar a comunicação entre as diversas secretarias envolvidas. Segundo Mila Corrêa da Costa, secretária de Estado de Desenvolvimento Econômico, as terras raras são essenciais para setores como tecnologia e energia limpa, e o estado se consolida como referência no mercado.
Concorrência global
Nos últimos anos, a dependência global da China em relação ao fornecimento de terras raras tem sido uma preocupação crescente. Com a China controlando cerca de 90% da capacidade mundial de processamento, Estados Unidos e países europeus estão investindo em alternativas. Nesse contexto, Minas Gerais se torna um local estratégico, com reservas minerais e um ambiente favorável para o desenvolvimento de projetos sustentáveis.
Capacidade de produção
A planta da Viridis em Poços de Caldas possui uma capacidade de processamento de 100 quilos de minério argiloso por hora, um volume que é aproximadamente quatro vezes maior do que o de plantas-piloto semelhantes fora da China. Os produtos gerados incluem elementos de alto valor agregado, como neodímio, praseodímio, disprósio e térbio.
Expectativa de empregos e futuro do projeto
Além das operações industriais, o CPTR contará com laboratórios e áreas de treinamento para a formação de mão de obra especializada. A expectativa é que os projetos da Viridis em Minas Gerais criem mais de 2,5 mil empregos diretos e indiretos até 2029, abrangendo não apenas a planta de processamento, mas também unidades de refino e reciclagem de ímãs permanentes de terras raras. A conclusão dos estudos de viabilidade está prevista para 2026, com início das obras da planta industrial em 2027 e a primeira produção comercial agendada para 2028.
