A Meta anunciou que irá encerrar as operações da Manus, uma startup de inteligência artificial adquirida por US$ 2 bilhões, em resposta a um veto do governo chinês que determinou a reversão da compra. Desde o início de junho, a empresa bloqueou o acesso da Manus aos seus sistemas internos e já instruiu suas equipes a migrar os projetos para plataformas próprias.

Consequências do Veto Chinês

A separação se dá após uma investigação da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China, que começou em janeiro de 2026. O órgão alegou que a aquisição violou regras de investimento estrangeiro e de exportação de tecnologia, levando à primeira reversão de uma aquisição internacional de IA já concluída no país.

A justificativa do governo chinês é que a Manus foi inicialmente fundada na China e sua pesquisa teve origem no território, utilizando talentos e dados locais. A mudança da sede da startup para Cingapura em 2025 foi interpretada como uma tentativa de evitar a supervisão regulatória da China.

Pressão sobre Cofundadores

Em março de 2026, dois cofundadores da Manus, Xiao Hong e Ji Yichao, foram convocados para interrogatório em Pequim e impedidos de deixar o país. A situação se agravou com a formalização da reversão da aquisição em abril, intensificando as dificuldades para a startup.

Plano de Recompra

Com a aquisição sendo desfeita, os cofundadores pretendem levantar cerca de US$ 1 bilhão com investidores para recomprar a empresa pelo mesmo valor que a Meta pagou. A ideia é reestruturar a Manus como uma joint venture chinesa, com perspectivas de um IPO em Hong Kong.

No entanto, o processo enfrenta desafios financeiros, já que investidores como Tencent e ZhenFund já receberam seus repasses da Meta. Além disso, parte da equipe da Manus já se transferiu para os escritórios da Meta em Cingapura, o que complica ainda mais as negociações.

Impacto no Cenário Tecnológico Chinês

O caso da Meta não é isolado. Reguladores chineses também instruíram outras startups de tecnologia a rejeitar investimentos americanos em novas rodadas de captação, a menos que haja aprovação do governo. Essa medida faz parte de um endurecimento nas regras de investimento externo, permitindo ao governo bloquear transações internacionais envolvendo tecnologia e propriedade intelectual de origem chinesa.

Enquanto isso, os Estados Unidos mantêm controles rígidos sobre a exportação de tecnologia, especialmente chips avançados de IA, limitando o acesso da China a capacidades computacionais essenciais. A disputa entre as duas potências vai além das questões de tecnologia, refletindo uma complexa dinâmica geopolítica que continua a se desenrolar.