O mercado financeiro brasileiro vivenciou um momento de expectativa com a estreia do IPO da Compass, que, ao levantar R$ 3,2 bilhões, encerrou um período de cinco anos sem novas aberturas de capital na B3. Contudo, desde essa estreia, as ações da empresa apresentaram uma queda de 3%, e nenhuma outra companhia revelou planos para realizar IPOs nos dias seguintes.
Retirada de Investidores Estrangeiros
Parte da razão para essa pausa nos IPOs está ligada à movimentação dos investidores estrangeiros, que retiraram R$ 11,8 bilhões da Bolsa apenas neste mês. Essa saída se deu em meio a tensões relacionadas à guerra no Irã, ao adiamento na queda da taxa de juros e à incerteza política no Brasil.
Embora muitas empresas estejam se preparando para abrir seu capital, a recuperação do mercado de IPOs pode levar mais tempo do que o esperado. George Costa e Silva, diretor do Bradesco BBI, comenta que a volta dos IPOs depende de uma combinação de fatores, como a estabilidade econômica e política.
Expectativas para o Futuro
Costa e Silva é otimista e acredita que a volatilidade atual é temporária. Ele afirma que há espaço para novos IPOs, especialmente se as condições de mercado se estabilizarem e se houver um fluxo maior de investimentos estrangeiros. A queda nas taxas de juros é um fator crucial, pois pode incentivar a migração de capital da renda fixa para a variável.
Daniel Wainstein, sócio-fundador da Seneca Evercore, vê o IPO da Compass como um bom sinal para a reabertura do mercado, embora não o considere uma retomada firme. A performance pós-IPO da Compass será essencial para avaliar o apetite do mercado e a possibilidade de novas ofertas de capital.
Quando Podemos Esperar Novos IPOs?
Costa e Silva projeta que os IPOs devem retornar em duas ondas. A primeira será composta por grandes empresas de setores como financeiro e infraestrutura, com captações acima de R$ 3 bilhões. A segunda onda poderia ocorrer quando o cenário político se estabilizar e as taxas de juros caírem, permitindo a abertura de capital para empresas menores.
As primeiras empresas a buscar o mercado devem ser aquelas com histórico sólido e rentabilidade, especialmente nos segmentos de infraestrutura e energia, que tendem a atrair mais investidores devido à previsibilidade de receita.
Cautela é Necessária
Para os investidores, Wainstein ressalta a importância de avaliar cuidadosamente cada IPO, considerando critérios como preço, governança e liquidez. Um estudo recente mostrou que, entre os IPOs realizados em 2020 e 2021, apenas 20% tiveram retorno positivo. Isso reforça a necessidade de cautela ao considerar novas oportunidades de investimento no mercado de ações.
