O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil referente ao primeiro trimestre de 2026 trouxe um crescimento de 1,1%, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse desempenho foi considerado positivo pelos economistas, que, no entanto, já projetam uma desaceleração para o segundo semestre do ano.

Expectativas para a Selic

Especialistas consultados indicam que o Banco Central (BC) deve adotar uma postura cautelosa em relação à taxa Selic, atualmente fixada em 14,5% ao ano. A Selic é uma ferramenta essencial para controlar a inflação, pois juros mais elevados encarecem o crédito e podem reduzir a atividade econômica.

Setores em crescimento

O crescimento do PIB foi impulsionado principalmente pela agropecuária, que registrou uma alta de 2%, seguido pela indústria e serviços, com aumentos de 1% e 0,5%, respectivamente. Em valores, o PIB totalizou R$ 3,3 trilhões no período.

Análise do cenário econômico

Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, afirma que o resultado positivo do PIB contraria a expectativa de uma desaceleração econômica. Ele destaca a resiliência do mercado de trabalho e os estímulos fiscais que devem manter a atividade aquecida, o que pode complicar a atuação do BC.

Desafios à vista

Roberto Padovani, do banco BV, enfatiza que, embora o primeiro trimestre tenha sido positivo, o aumento dos gastos públicos pode levar a uma pressão inflacionária, resultando em juros mais altos por um período prolongado. Isso sugere que o crescimento atual pode não ser sustentável.

Projeções futuras

José Márcio Camargo, da Genial Investimentos, prevê uma desaceleração gradual da economia, com crescimento de 0,5% a cada trimestre e um total de 2% para 2026. Outros economistas também reiteram que a manutenção do crescimento do PIB será desafiadora, especialmente devido a choques externos, como o aumento nos preços do petróleo.