A utilização da inteligência artificial (IA) entre os jovens cresce a passos largos, com muitos acreditando que essa tecnologia os tornaria mais produtivos e criativos. Contudo, uma nova pesquisa revela que essa mesma geração, especialmente a Z, está cada vez mais preocupada com os impactos negativos que a IA pode ter em suas vidas profissionais.
Dependência versus Frustração
Nos EUA, cerca de 50% dos jovens da geração Z, que inclui aqueles nascidos entre 1997 e 2012, afirmaram usar IA generativa semanalmente. Porém, 31% desses jovens expressaram que a tecnologia lhes causa raiva, um aumento em relação aos 22% do ano anterior, segundo um estudo do Gallup.
Entrevistas realizadas pelo Financial Times com jovens de diferentes continentes revelaram uma relação ambivalente com a IA. Misha, de 24 anos, recém-formada em computação, relata que os avanços na área tornaram suas habilidades menos valorizadas. Para ela, desenvolvedores júnior estão apenas gerenciando IA, em vez de criar algo novo.
A Corrida Armamentista na Busca por Emprego
Para muitos recém-formados, o uso de IA transformou a busca por emprego em um verdadeiro desafio. Agora, candidatos utilizam chatbots para enviar diversas inscrições, enquanto empresas empregam algoritmos para filtrar currículos, o que complica ainda mais o processo de contratação. Um estudo da Universidade Stanford indicou que, em plataformas de seleção, é necessário se candidatar a pelo menos 25 vagas para ter chances de avançar em uma seleção.
O Caleidoscópio da Criatividade e Emprego
Lucy, de 24 anos, trabalha em marketing e critica o atual sistema de candidaturas, que ela considera quebrado. Em busca de reconhecimento, ela optou por abordagens diretas com gerentes de contratação. Já Céleste Collet, de 21 anos, questiona quantos empregos ainda estarão disponíveis no futuro, mesmo reconhecendo o impacto positivo que a IA pode ter.
Além do ambiente profissional, muitos jovens ressaltam que a IA tem dificultado a distinção entre fato e ficção. A disseminação de imagens geradas por IA, segundo Lucy, prejudica a credibilidade de evidências visuais, tornando o mundo mais confuso.
Reações e Movimentos de Protesto
A insatisfação com o avanço da tecnologia se manifestou em diversas ocasiões, incluindo discursos de formatura, onde formandos vaiaram palestrantes que exaltavam a IA. Grupos como o Luddite Club, fundado em 2021, reúnem pessoas que rejeitam o uso de smartphones e promovem atividades alternativas como leitura e música.
Uso da IA e suas Implicações
Apesar das preocupações, a IA continua a ser amplamente utilizada por jovens. Apenas 20% da geração Z entrevistada nunca usou a tecnologia. Para muitos, como Lucy, a IA trouxe benefícios, ajudando sua irmã a lidar com problemas de memória. Entretanto, Soham, um estudante indiano, expressa preocupações sobre o impacto da IA no setor de serviços digitais no país, temendo pela falta de regulamentação governamental.
Matthew, de 26 anos, também critica a intrusão da IA na vida cotidiana, considerando que ela tira o valor emocional de momentos importantes. Para ele, a crescente dependência da tecnologia pode ser mais prejudicial do que benéfica, e o desaparecimento das habilidades humanas é um sinal de alerta.
