Instituições internacionais de direitos humanos, com o apoio de representantes do povo mura, solicitaram a investigação do projeto de exploração de potássio na Amazônia. Os pedidos foram encaminhados aos órgãos reguladores de mercado dos Estados Unidos e Canadá, visando suspender as atividades da empresa responsável, a Potássio do Brasil.

Contexto do Projeto

A Potássio do Brasil, que pertence à canadense Forbes & Manhattan e investidores brasileiros, tem planos para extrair potássio, um mineral essencial na produção de fertilizantes agrícolas. O projeto, que já dura mais de 16 anos, visa a exploração de minas em uma região cuja demarcação é analisada pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Pedidos de Investigação

No dia 5, dois pedidos foram protocolados junto à SEC, nos EUA, e à OSC, no Canadá. Os institutos alegam que a empresa não informou corretamente aos investidores sobre a possibilidade de que a demarcação da Terra Indígena Lago Soares pela Funai impediria a exploração mineral na área, conforme a legislação brasileira.

Oposição dos Muras

Além disso, as cartas destacam que a Potássio do Brasil não menciona a resistência dos muras ao projeto e o questionamento judicial das licenças concedidas pelo estado do Amazonas. A empresa, por sua vez, afirmou que cumpre as normas vigentes e não recebeu comunicação formal sobre os pedidos de investigação.

Implicações e Controvérsias

O Ministério Público Federal (MPF) está contestando na Justiça as licenças do governo do Amazonas que permitiram o avanço do projeto. Tanto o governo anterior, sob Jair Bolsonaro, quanto o atual, de Luiz Inácio Lula da Silva, expressaram apoio à iniciativa, que promete reduzir a dependência do Brasil em relação à importação de fertilizantes.

Desafios Ambientais e Sociais

A empresa argumenta que o projeto, que requer um investimento de US$ 2,5 bilhões, é crucial para a produção interna de potássio. No entanto, documentos enviados às autoridades afirmam que a Potássio do Brasil omitiu informações sobre litígios relacionados a violações da legislação e os riscos ambientais associados à exploração.

Divisão Entre os Muras

Dentro da comunidade mura, há divisões em relação ao projeto. A associação CIM (Conselho Indígena Mura) se mostra favorável à exploração, enquanto outras entidades que representam os muras do Lago Soares se opõem. Caciques locais, como Filipe Gabriel da Silva e Silva, têm apoiado os pedidos de investigação, sublinhando a necessidade de proteger os direitos e o meio ambiente da região.