A indústria brasileira de máquinas e equipamentos está se preparando para uma ação em território americano, com o intuito de barrar ou ao menos mitigar os impactos da tarifa de 25% que o governo dos Estados Unidos anunciou para o setor. A Abimaq, a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos, vai participar de audiências públicas e consultas abertas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que receberá manifestações até o dia 1º de julho. Uma audiência pública está marcada para o dia 6 de julho, antes da decisão final que deve sair em 15 de julho.

Objetivos da Mobilização

Em entrevista à Folha, o presidente-executivo da Abimaq, José Velloso, explicou que a intenção é convencer o governo americano de que a nova tarifa é desprovida de sentido econômico e pode causar danos às empresas dos EUA. Velloso ressaltou que o setor de máquinas e equipamentos é considerado um bem de capital, e não um bem de consumo, portanto, não deve ser impactado por políticas que visem controlar a inflação.

A Abimaq já havia sinalizado aos seus associados a possibilidade dessa tarifa, prevendo que ela ficaria entre 20% e 30%. O presidente da entidade destacou que os Estados Unidos têm superávit comercial na área de máquinas e equipamentos, vendendo mais para o Brasil do que comprando.

Dados Comerciais

Em 2024, o Brasil exportou aproximadamente US$ 3,6 bilhões em máquinas para os EUA, enquanto as importações somaram cerca de US$ 4 bilhões, resultando em um déficit de US$ 400 milhões. Velloso argumenta que não existe justificativa para o Brasil ser penalizado pela imposição dessa tarifa.

A nova tarifa faz parte de uma investigação comercial dos EUA contra o Brasil e, se confirmada, elevará os custos das máquinas brasileiras no mercado americano, que é o maior importador desses produtos. Um dos principais pontos que a Abimaq levará às autoridades americanas é que a medida pode impactar empresas locais, uma vez que 82% das exportações brasileiras para os EUA são realizadas em operações intercompanhia, envolvendo subsidiárias e matrizes.

Consequências Potenciais

A Abimaq também alerta que a tarifa pode inadvertidamente fortalecer a concorrência chinesa. Atualmente, fabricantes da China enfrentam tarifas de cerca de 30% para exportar máquinas aos EUA. Com a nova sobretaxa brasileira, a competitividade entre os dois países poderia se equilibrar, favorecendo as vendas chinesas.

Segundo Velloso, empresas americanas que optarem por não adquirir equipamentos brasileiros poderão buscar alternativas na China, que se beneficia de economias de escala e apoio governamental. A medida surge em um momento em que a participação dos EUA nas exportações brasileiras do setor já estava em declínio, caindo de 26% para cerca de 13% nos últimos anos.

Expectativas Futuras

Enquanto a Abimaq tenta reverter a medida por vias diplomáticas, a indústria planeja aumentar os embarques sob as atuais condições, com uma tarifa de 10%. A expectativa é que haja um aumento temporário das exportações nas próximas semanas antes que a nova alíquota entre em vigor. Mesmo com a ameaça tarifária, o setor tem conseguido compensar perdas, com exportações totais de US$ 14,4 bilhões nos últimos 12 meses, destacando o crescimento nas vendas para a Argentina e Singapura.