A economista Cecília Machado, que também é colunista da Folha, recentemente alertou sobre os perigos do crescente endividamento das famílias brasileiras e suas implicações para o futuro econômico do país. O aumento das dívidas pode ter efeitos adversos, comprometendo o crescimento a médio prazo.
Estudos sobre Endividamento
Machado se baseia em estudos como "Indebted Demand", de Atif Mian, Ludwig Straub e Amir Sufi, que demonstram que o aumento do endividamento familiar pode impulsionar o PIB no curto prazo, mas gera um efeito contrário nos anos seguintes. Outro estudo relevante é o do FMI, que analisa os impactos macroeconômicos da dívida das famílias globalmente.
Ressaca de Endividamento
O fenômeno conhecido como "debt overhang" revela que o crescimento do endividamento pode levar a uma ressaca econômica, afetando a capacidade de crescimento nos anos seguintes. Este efeito é mais severo quando a alavancagem familiar aumenta significativamente e quando o crédito imobiliário é um fator relevante nesse crescimento.
Crises Bancárias e Oferta de Crédito
A elevação do crédito às famílias também pode aumentar o risco de crises bancárias, mesmo que não sejam severas, resultando em surtos de inadimplência. Isso, por sua vez, limita a oferta de crédito pelos bancos, impactando ainda mais a economia.
Cenário Atual no Brasil
Atualmente, o Brasil enfrenta níveis recordes de endividamento, resultado de um aumento significativo em 2021 e 2022, quando as taxas de juros estavam particularmente baixas. Essa situação nos coloca em uma janela crítica, onde os efeitos da ressaca de endividamento devem se manifestar nos próximos anos.
Previsões para o Futuro
Com as eleições de 2026 se aproximando, é provável que a ressaca se intensifique em 2027, após um período de estímulos fiscais típicos de anos eleitorais. Além disso, a taxa de juros de equilíbrio deve ser afetada por essa dinâmica, com estimativas atuais apontando para uma taxa neutra entre 5% e 5,5% em termos reais.
