No dia 25 de setembro, foi oficialmente encerrada a atividade do Hospital Colônia de Barbacena, uma unidade psiquiátrica que ficou marcada por sérias violações de direitos humanos ao longo de sua história. A transferência dos últimos 14 pacientes, todos idosos, foi realizada para uma residência terapêutica em Barbacena, onde receberão acompanhamento especializado.

História do Hospital Colônia

Fundado em 1903, o Hospital Colônia foi inicialmente concebido para tratar pessoas com transtornos mentais. Com o passar dos anos, no entanto, a instituição se transformou em um símbolo de exclusão e negligência, resultando na morte de aproximadamente 60 mil pacientes.

Práticas desumanas e abusos

Entre as atrocidades cometidas, destaca-se que pelo menos 1.800 corpos foram comercializados para universidades, usados em cursos de anatomia. Universidades como a UFMG e a UFJF publicaram pedidos de desculpas por essa prática, que desrespeitou a dignidade dos falecidos.

Um local de isolamento social

Por décadas, o hospital foi um 'depósito' de pessoas, recebendo não apenas indivíduos com diagnósticos psiquiátricos, mas também aqueles que eram considerados indesejáveis pela sociedade, como homossexuais, militantes políticos e mulheres que não se enquadravam nos padrões sociais da época.

Tratamento desumano e precário

A condição dos internos era alarmante, com relatos de maus-tratos, incluindo o uso de eletrochoques como forma de punição. Os pacientes eram mantidos em ambientes insalubres, muitas vezes dormindo diretamente no chão frio, cobertos apenas por capim seco.

Legado e futuro

A desativação do Hospital Colônia, que começou na década de 1980, reflete uma mudança na abordagem referente à saúde mental no Brasil. O Museu da Loucura, que permanece ativo no complexo, é um espaço que preserva a memória e as histórias dos que passaram pela instituição, servindo como um lembrete das lições aprendidas.