Um estudo recente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) revela que os homicídios de mulheres no Brasil diminuíram em 27,7% entre 2014 e 2024. Apesar dessa queda, o número total de assassinatos ainda é alarmante, com 46.336 casos registrados no período. A maior concentração de violência letal contra mulheres se verifica nas regiões Norte e Nordeste do país.
Redução nos homicídios
A pesquisa aponta que a diminuição nos homicídios de mulheres se deve, em grande parte, à redução dos assassinatos fora do ambiente doméstico. A taxa desse tipo de crime caiu de 3,47 para 2,17 por 100 mil mulheres entre 2014 e 2024. Os estados que mais reduziram suas taxas foram Sergipe, com uma queda de 67,2%, e Goiás, com 62,5%.
Estabilidade nos feminicídios
Por outro lado, os casos de feminicídio, que se referem a assassinatos de mulheres em contexto de violência doméstica, mostraram-se estáveis, variando de 1,25 para 1,18 por 100 mil mulheres. Em 2024, 3.642 feminicídios foram registrados, representando 40,3% do total de homicídios de mulheres nesse período. Daniel Cerqueira, coordenador do Atlas da Violência, ressalta que, embora a legislação de combate ao feminicídio tenha sido implementada em 2015, ainda não se observou uma queda significativa nesse tipo de crime.
Violência não letal e suas nuances
Além dos homicídios, outro dado preocupante é que 293.842 mulheres foram vítimas de violência não letal, sendo a maioria dos casos (64%) ocorrendo no ambiente doméstico. A pesquisa indica que 79,9% das agressões acontecem em casa, e uma significativa parcela das mulheres (66,2%) relatou ter sofrido múltiplas agressões no mesmo ano.
Impacto da idade e raça
A violência contra mulheres apresenta variações conforme a faixa etária. Entre as crianças de 0 a 9 anos, a negligência é a forma predominante de violência, enquanto para as meninas de 10 a 14 anos, a violência sexual é a mais relatada. A partir dos 15 anos, a violência física se torna a principal forma de agressão, frequentemente associada a relacionamentos íntimos.
Mulheres negras como principais vítimas
O Atlas também revela que as mulheres negras são as mais afetadas pela violência letal, com uma taxa 66,7% superior à verificada entre mulheres não negras. Em 2024, 2.457 mulheres negras foram assassinadas, representando 67,5% do total de homicídios de mulheres. Apesar de uma queda de 9,1% em relação ao ano anterior, a taxa de homicídios de mulheres negras continua alarmante, embora tenha diminuído de 5,6 para 4 por 100 mil mulheres ao longo de 11 anos, com destaque para as reduções em Sergipe e Goiás.
