Em Belo Horizonte, professores, funcionários de secretaria e bibliotecários da rede municipal continuam em greve, com uma nova assembleia marcada para esta terça-feira (26). Na tarde desta segunda-feira (25), os educadores se reuniram em frente à Prefeitura Municipal em busca de um acordo, mas saíram insatisfeitos com a falta de avanço nas negociações.
Divisão entre sindicato e Prefeitura
O movimento grevista, que se aproxima de 30 dias, evidenciou um racha entre o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de BH (Sind-Rede) e a Secretaria Municipal de Educação (Smed). A secretária Natália Araújo afirmou que a prefeitura atendeu a todas as demandas apresentadas e que não haverá novas conversas até que a greve seja suspensa.
Alegações de privatização
Os professores denunciam a precarização dos serviços, a falta de transparência nas informações e a chamada “privatização disfarçada” do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Segundo o sindicato, a Prefeitura transferiu responsabilidades pedagógicas para 21 Organizações da Sociedade Civil (OSCs), comprometendo o controle público sobre o atendimento a crianças com deficiência.
Resposta da secretária
Natália Araújo rebateu as acusações, ressaltando que não há privatização, mas sim uma mudança de empregadora para os profissionais, que já eram terceirizados. Ela garantiu que não houve perda de empregos ou redução salarial, chamando as alegações de “discurso mentiroso” que visa desviar a atenção de uma disputa interna entre sindicatos.
Pauta de reivindicações
Em relação às reivindicações, a secretária afirmou que o prefeito ofereceu sete pontos que foram atendidos até a data da coletiva. Ela ainda mencionou que a PBH se recusa a divulgar o quadro real de lotação de professores, o que resultaria em escolas com até 11 vagas em aberto por turno. O sindicato, por sua vez, alega que a proposta de reposição salarial da Prefeitura para 2026 é de apenas 4,11%, diferentemente dos 6,51% anunciados pela secretária.
Futuro da negociação
Uma das principais críticas da categoria é o fim do diálogo com a administração municipal, que enviou um ofício indicando que as conversas só serão retomadas após o fim da greve. Natália enfatizou que a reposição de aulas só poderá ocorrer com a presença dos professores nas salas de aula.
Próximos passos
A nova assembleia agendada para esta terça-feira (26), às 14h, na porta da Prefeitura, deve definir os próximos passos do movimento. O Sindicato busca maior transparência e uma revisão do modelo das OSCs, enquanto a Prefeitura considera que as negociações estão encerradas e aguarda o retorno dos alunos às aulas. A greve continua a impactar milhares de famílias na cidade.
