FRANKFURT, 12 Jun (Reuters) – O Banco Central da Alemanha (Bundesbank) revelou que os elevados gastos do governo, principalmente em defesa e infraestrutura, desempenham um papel crucial na manutenção da economia do país, evitando uma recessão em 2023. A situação econômica na Alemanha, que enfrenta os efeitos da guerra no Irã e uma inflação persistente, se mostra delicada.

Impacto dos Gastos Públicos

De acordo com o Bundesbank, a economia alemã tem apresentado estagnação nos últimos três anos, com um crescimento previsto de apenas 0,5% para 2026, ligeiramente abaixo da previsão anterior de 0,6%. A expansão para 2027 também foi reduzida, passando de 1,3% para 0,8%. Essa revisão ocorre em um contexto onde o Banco Central Europeu (BCE) ajustou suas previsões de crescimento para a zona do euro e aumentou as taxas de juros para combater a inflação.

Expectativas de Crescimento

A política fiscal expansionista é vista como um fator que pode evitar a queda do Produto Interno Bruto (PIB) no verão europeu. O Bundesbank estima que os gastos governamentais, especialmente em defesa, possam contribuir com um crescimento acumulado de 1,3 pontos percentuais até 2028.

Desafios Econômicos

No entanto, os altos custos de energia continuam a impactar negativamente o poder de compra das famílias e a saúde financeira das empresas, que podem enfrentar dificuldades de abastecimento e uma demanda em declínio. Além disso, a incerteza econômica e a elevação nas taxas de juros dificultam o investimento privado.

Previsões de Inflação

Em seu relatório, o Bundesbank alertou que os riscos relacionados à inflação são elevados, enquanto os sinais de atividade econômica permanecem fracos. O Ministério da Economia da Alemanha também indicou que a recuperação econômica será gradual e que o mercado de trabalho não deve apresentar melhorias significativas nos próximos meses.

Taxas de Juros e Inflação

A inflação geral na Alemanha é projetada em 2,9% para este ano e 2,7% para 2027. O Bundesbank não acredita que a inflação subjacente, que exclui os preços voláteis de alimentos e energia, retorne ao alvo de 2% do BCE até 2028. A inflação subjacente deve ser de 2,6% em 2023, 2,5% em 2027 e 2,3% em 2028, refletindo as dificuldades em controlar a inflação.