Belo Horizonte – A proposta que visa acabar com a escala 6x1 está gerando preocupação entre os setores produtivos do Brasil, que prevêem consequências significativas para a economia. A Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) está mobilizando esforços para barrar a aprovação da PEC no Senado, argumentando que a abordagem proposta não é a mais adequada para discutir a carga horária de trabalho no país.

Legitimidade do desejo de trabalhar menos

A gerente de assuntos trabalhistas da Fiemg, Fernanda Ribas, ressalta que aspirar a uma jornada de trabalho menor é um desejo legítimo e comum à maioria das pessoas. Contudo, ela defende que a discussão sobre a jornada deve ser conduzida de forma diferente, sem imposições legais.

A importância da negociação coletiva

Fernanda Ribas destaca a necessidade de se realizar uma análise cuidadosa dos impactos econômicos dessa redução de jornada, enfatizando que a discussão deve ocorrer sem pressões eleitorais. Para ela, a melhor forma de implementar mudanças na jornada de trabalho é por meio de negociações coletivas, que permitam adaptar a carga horária às realidades de cada setor.

Comparações com direitos trabalhistas

No debate em torno do fim da escala 6x1, muitos críticos mencionam que os empregadores foram historicamente contra a concessão de direitos trabalhistas, como o 13º salário. Em resposta, Ribas argumenta que essa visão é simplista e não reflete a complexidade da economia globalizada atual.

Desafios da concorrência internacional

Fernanda Ribas explica que as empresas brasileiras enfrentam concorrência não apenas entre si, mas também com o mercado internacional. Aumento nos custos de produção pode levar empresas estrangeiras a dominarem o mercado nacional, tornando necessário considerar o impacto de qualquer alteração na legislação trabalhista.

Realidades econômicas distintas

A gerente da Fiemg também ressalta que a situação econômica atual é muito diferente da de 1988, quando a Constituição foi promulgada. Com uma produtividade inferior à de outros países, qualquer mudança deve ser analisada em um contexto global e não apenas nacional, levantando preocupações sobre a escassez de mão de obra qualificada em um cenário de possíveis novas contratações.