A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) manifestou sua oposição ao fim da escala de trabalho 6x1, recentemente aprovado pela Câmara e que agora aguarda votação no Senado. Segundo a Fiemg, essa mudança não considera as particularidades da concorrência internacional que afeta as empresas brasileiras.
Concorrência global
Fernanda Ribas, gerente de assuntos trabalhistas da Fiemg, afirmou que a comparação entre a extinção da escala de trabalho e a criação do 13º salário é simplista. "Nós vivemos em uma economia globalizada, onde as empresas brasileiras enfrentam concorrência não apenas entre si, mas com produtos de outros países que podem ser mais baratos", destacou.
Realidade econômica mudada
Ribas lembrou que as condições econômicas de 1988, quando a Constituição foi promulgada, eram bastante diferentes das atuais. Ela enfatizou que a produtividade de outros países supera a do Brasil, tornando essencial uma análise mais ampla sobre as mudanças no mercado de trabalho.
Desafios da mão de obra
A gerente também alertou sobre a escassez de mão de obra formal no Brasil, questionando a viabilidade de abrir novos postos de trabalho com o fim da escala 6x1. "Onde vamos encontrar esses novos empregados?", indagou, ressaltando a complexidade da situação atual.
Direito legítimo ao trabalho reduzido
Apesar de defender o direito de trabalhar menos como algo legítimo, a Fiemg acredita que a maneira correta de implementar essa mudança não é pela via legal, mas através de negociações coletivas entre empregadores e empregados. "A proposta de reduzir a jornada de trabalho deve ser discutida de forma mais adequada", afirmou Ribas.
Negociação coletiva como solução
Ribas concluiu que a negociação coletiva é o instrumento mais apropriado para discutir a redução da jornada de trabalho, permitindo que empresas e setores que podem absorver essa mudança o façam de maneira legítima e adequada.
