Os governos dos Estados Unidos e dos Emirados Árabes Unidos, juntamente com empresas associadas a eles, estão próximos de assumir o controle da Terra Brasil Minerals, uma mineradora que possui significativas reservas de terras raras nas cidades de Patos de Minas e Presidente Olegário, em Minas Gerais. As estimativas para a negociação giram em torno de bilhões de dólares.

Negociações Avançadas

Em abril deste ano, o DFC, banco estatal americano, formalizou uma carta de intenções para adquirir uma participação nas ações da mineradora. Essa carta possibilitou a entrada de outros investidores, incluindo um fundo de investimentos dos Emirados Árabes Unidos.

Informações apuradas indicam que, em junho, executivos da Terra Brasil Minerals participarão de reuniões em Dubai para finalizar os termos da negociação, que devem ser concluídas em um prazo de 90 a 120 dias. Essas reuniões também envolvem o banco suíço UBS e parceiros americanos e britânicos no setor de fertilizantes.

Contexto da Negociação

Essas movimentações fazem parte de uma estratégia liderada pelo governo anterior dos EUA, visando reduzir a dependência da China na extração e processamento de terras raras. Além dos EUA e do Reino Unido, outros países envolvidos na iniciativa incluem Canadá, Austrália e União Europeia.

A porcentagem de controle a ser adquirida pelos investidores ainda não foi definida, mas a expectativa é que a negociação assegure o controle da mineradora, garantindo assim o fornecimento de terras raras para as empresas dos países participantes e possibilitando a transferência de tecnologia ao Brasil.

Planos da Terra Brasil Minerals

Atualmente, a Terra Brasil Minerals se encontra em fase pré-operacional, mas já detém uma das maiores reservas de terras raras no Brasil. O plano da empresa, liderada por Eduardo Duarte, é estabelecer uma planta-piloto para extração e processamento desses minerais até 2027, com uma produção em larga escala prevista a partir de 2030. O aporte financeiro proveniente das negociações pode acelerar esse projeto, que está avaliado em R$ 2,5 bilhões.

Perspectivas Futuras

Além da mineração de terras raras, as negociações também incluem a criação de uma joint venture com o grupo marroquino OCP, que é o maior produtor mundial de fertilizantes fosfatados. Essa parceria visa a produção de fosfato, um insumo essencial para o agronegócio, e que também está presente nas reservas da Terra Brasil Minerals.

Movimentações no Setor

Se a aquisição for concretizada, representará mais um passo do governo dos EUA para desenvolver a indústria de terras raras no Brasil. Recentemente, uma empresa na qual o governo americano possui participação minoritária adquiriu a Serra Verde, a única mineradora em operação de terras raras no país, por um montante de U$ 2,8 bilhões. O DFC também financiou outras mineradoras, evidenciando o crescente interesse americano na exploração desses recursos no Brasil.