Um novo estudo realizado pela BLR DATA indica que as empresas brasileiras ainda se encontram predominantemente em um estágio reativo no que diz respeito à maturidade na gestão de dados. Esta análise, que se baseia em 30 avaliações feitas pela consultoria desde 2020, revela que até mesmo setores tradicionalmente reconhecidos pelo uso intensivo de dados, como o financeiro, enfrentam desafios significativos para estabelecer governança e estratégias eficazes.

Índice de Maturidade em Gestão de Dados

A pesquisa utiliza o Índice de Maturidade em Gestão de Dados (IMGD), que é avaliado em uma escala de 1 a 4, dividindo-se em quatro níveis: Reativo, Inicial, Definido e Coordenado. De acordo com os dados, instituições financeiras como bancos e fintechs obtiveram uma média de 1,51, permanecendo na faixa reativa e abaixo da média geral dos outros setores, que é de 1,65.

Desafios do Setor Financeiro

Bergson Lopes, fundador e sócio-diretor da BLR DATA, destaca que a percepção de alta maturidade no setor financeiro não se reflete na realidade. Ele ressalta que a diferença entre as organizações não se resume apenas à tecnologia, mas à habilidade de estruturar uma governança sólida, definir estratégias e implementar ações de forma consistente. Sem esses elementos, os investimentos em dados e inteligência artificial não produzem resultados efetivos.

Desempenho por Setores

Entre os setores analisados, as empresas que oferecem produtos analíticos demonstraram o maior nível de maturidade, com uma média de 2,05. Em contrapartida, o setor de Educação apresentou o pior resultado, com uma média de apenas 1,42.

Avanços e Gargalos

Embora o cenário atual seja considerado inicial, a pesquisa aponta uma evolução gradual nos últimos anos. Empresas que foram reavaliadas após implementarem planos estruturados de governança e gestão de dados conseguiram avançar para níveis em torno de 2,5 já no primeiro ano, e posteriormente para patamares próximos a 3, que correspondem aos estágios Definido e Coordenado.

Obstáculos e Oportunidades

Os maiores entraves estão nas áreas essenciais para a sustentação de iniciativas de inteligência artificial e analytics. A Gestão de Metadados teve uma média de 1,33, seguida pela Governança de Dados (1,36) e Arquitetura de Dados (1,43). Já setores regulados e mais consolidados mostraram resultados melhores, como Operações e Database, que lideraram com média de 2,66.

Desenvolvimento da Cultura de Dados

A análise das dimensões organizacionais revela que o fator humano é um dos principais obstáculos para o amadurecimento da cultura de dados nas empresas. A dimensão 'Pessoas' teve a menor média, com 1,48, inferior aos índices de Tecnologia (1,52) e Processos (1,67). Segundo a BLR DATA, isso evidencia desafios em capacitação e na disseminação de práticas orientadas por dados.

O Futuro da Inteligência Artificial

Para Bergson Lopes, o progresso da inteligência artificial nas empresas dependerá da combinação de processos estruturados, tecnologia apropriada e profissionais capacitados. Ele conclui que, sem uma governança robusta, a inteligência artificial tende a se limitar a iniciativas isoladas, sem alcançar uma escala real dentro das organizações.