Um estudo realizado pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) sugere que o Brasil enfrentará sérios desafios na luta contra doenças crônicas não transmissíveis até 2030. A pesquisa, que será publicada na revista The Lancet Regional Health Americas, revela que, apesar da queda no tabagismo, o aumento no consumo de álcool e alimentos ultraprocessados se torna preocupante.

Os dados indicam que, em apenas quatro anos, quase 30% da população brasileira poderá ser classificada como obesa, e mais de 10% dos adultos vivenciarão o diabetes. A hipertensão também deve afetar mais de um quarto da população. O estudo aponta que o consumo abusivo de álcool poderá subir de 18,8% para 21,3%, sendo as mulheres as mais impactadas.

Essas doenças crônicas são responsáveis por mais de 54% dos óbitos anuais no Brasil, com uma parte significativa ocorrendo entre pessoas de 30 a 69 anos. A nutricionista Jacqueline Wahrhaftig, uma das autoras do estudo, ressalta que a obesidade está intimamente ligada ao aumento do diabetes e que as políticas públicas atuais não têm sido eficazes para conter esse problema.

Além disso, os pesquisadores destacam que, enquanto o plano do Ministério da Saúde se concentra na contenção do avanço da obesidade, as projeções são alarmantes. A falta de políticas eficazes para mitigar o consumo de ultraprocessados agrava o cenário, conforme aponta Leandro Rezende, coordenador do Núcleo de Pesquisa em Epidemiologia de Doenças Crônicas da Unifesp.