Com a chegada do frio e do tempo seco, asma e outras doenças respiratórias tendem a se agravar. Dados do Ministério da Saúde indicam que cerca de 20 milhões de brasileiros sofrem dessa condição. Nesse contexto, o pneumologista Antônio Braz, professor da Faseh/Inspirali, alerta para o uso inadequado das bombinhas inaladoras, com 87% dos pacientes cometendo erros, conforme informações do Instituto para Práticas Seguras no Uso de Medicamentos (ISMP Brasil).
Erros comuns no uso das bombinhas
Entre os erros mais frequentes está a falta de coordenação entre o disparo do dispositivo e a inalação, resultando em desperdício do medicamento e comprometendo a eficácia do tratamento. Além disso, muitos pacientes confundem a bombinha de alívio, indicada para crises, com a bombinha de controle, que é utilizada para prevenir inflamações nas vias aéreas.
O médico ressalta que, desde 2019, tanto a comunidade científica nacional quanto internacional não recomenda o uso de broncodilatadores isoladamente para alívio de sintomas. O ideal é combiná-los com medicamentos de controle, como os corticóides inalados. Essa prática inadequada pode levar à falta de controle da asma e aumentar o risco de efeitos colaterais.
Cuidados no uso do dispositivo inalador
Antônio Braz sugere que, além de seguir a prescrição médica, os pacientes mantenham uma hidratação adequada e um ambiente umidificado. Contudo, é importante ficar atento ao desenvolvimento de mofo, que pode agravar a condição asmática.
Recomendações gerais incluem agitar o inalador antes do uso, manter a posição correta durante a inalação, esvaziar os pulmões antes de disparar e respirar lentamente pela boca, retendo o ar por cerca de 10 segundos. Caso o médico prescreva mais de uma dose, é necessário aguardar 30 segundos entre os jatos. Após a utilização, é aconselhável enxaguar a boca para evitar efeitos colaterais.
Mudanças no perfil da asma ao longo da vida
O pneumologista explica que a asma é mais comum em meninos na infância, mas, após a adolescência, a prevalência se inverte, afetando mais mulheres. Essa mudança pode ser atribuída a fatores anatômicos, hormonais e ambientais. Meninos, por terem vias aéreas menores, são mais suscetíveis a chiados, enquanto as mulheres, devido ao estrogênio e progesterona, apresentam maior predisposição à inflamação das vias aéreas.
Dificuldade respiratória: asma ou ansiedade?
Uma dúvida recorrente é se bombinhas podem ser utilizadas em casos de falta de ar causada por crises de ansiedade. O especialista esclarece que, apesar da semelhança nos sintomas, as causas e tratamentos são diferentes. Um diagnóstico preciso deve envolver uma avaliação clínica detalhada e exames complementares, pois o uso inadequado do inalador pode atrasar o tratamento correto e criar dependência psicológica sem benefício clínico.
