Os fundos de investimento que atuam nos setores imobiliário, agropecuário e de infraestrutura estão cada vez mais presentes nas carteiras dos investidores brasileiros. Apesar de compartilharem algumas semelhanças, como a negociação em Bolsa e a distribuição de rendimentos, especialistas ressaltam que as características e os riscos de cada tipo de fundo são bastante distintos.

Diferenças entre os tipos de fundos

De acordo com Gabriel Pereira, especialista em fundos imobiliários da AVIN, um erro comum é tratar FIIs, Fiagros e FI-Infra como produtos equivalentes. Embora todos sejam fundos fechados com isenção de Imposto de Renda nos rendimentos para pessoas físicas, cada um investe em ativos diferentes. FIIs estão associados ao mercado imobiliário, enquanto os Fiagros focam no agronegócio e os FI-Infra investem em debêntures de setores como energia e saneamento.

Riscos e oportunidades no cenário atual

O cenário atual de juros elevados demanda uma análise cuidadosa da qualidade dos ativos. Pereira destaca que os fundos de crédito atrelados ao CDI tendem a ter menor volatilidade no curto prazo, ao passo que os fundos imobiliários de tijolo podem oferecer maior potencial de valorização em um eventual ciclo de queda de juros. Portanto, a escolha do fundo deve levar em conta o ambiente econômico e as características específicas de cada ativo.

A complexidade dos FI-Infra

No caso dos FI-Infra, o risco está ligado à natureza dos projetos financiados. Murilo Loureiro, da RB Asset, explica que a dinâmica de risco em infraestrutura é diferente da observada em empresas tradicionais. Durante a construção, os desafios são a execução das obras e o controle de custos, enquanto, após a operação, o foco se volta à eficiência e à geração de receita.

Os desafios dos Fiagros

Para os Fiagros, a análise vai além dos balanços financeiros. Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, aponta que o investidor também deve considerar fatores como o comportamento das commodities, clima e custos de produção. Eventos climáticos extremos, como secas e geadas, podem impactar a capacidade de pagamento dos produtores, afetando a qualidade do crédito nas operações.

FIIs e a influência do mercado global

Embora os fundos imobiliários sejam majoritariamente concentrados no mercado brasileiro, eles não estão completamente isolados das flutuações internacionais. Cândido Piovesan, trader da Nippur Finance, observa que altas nas taxas de juros nos EUA aumentam o custo de capital globalmente e afetam a atratividade dos FIIs em relação à renda fixa. Embora esses fundos apresentem uma proteção relativa a choques externos, ainda podem ser influenciados por mudanças no ambiente financeiro global.