No cenário atual de transformação digital, as empresas estão enfrentando um novo desafio: não apenas a adoção de tecnologias avançadas, mas também a criação de uma estrutura organizacional que permita aprender e escalar o uso da inteligência artificial (IA). Durante o Web Summit Rio 2026, Leandro Angelo, sócio e vice-presidente da CI&T para a América Latina, destacou essa mudança de foco.
Nova Maturidade em IA
Segundo Leandro, as organizações estão passando de uma fase de experimentação em IA para a construção de operações sustentáveis, que envolvem métricas de negócio e novas formas de trabalho. A experiência dos últimos anos mostrou que simplesmente disponibilizar ferramentas não é suficiente para gerar valor. "A velocidade com que uma empresa aprende determina sua capacidade de escalar soluções de IA", afirmou.
A Importância da Governança
Leandro defendeu que a governança não deve ser vista como uma etapa final, mas sim como a infraestrutura essencial para iniciativas baseadas em IA. A CI&T desenvolveu uma plataforma que centraliza o consumo de modelos, controla acessos e mede a adoção, garantindo que qualquer interação com modelos ocorra em um ambiente controlado.
Desafios de Consumo e FinOps
Outro ponto abordado foi o aumento do consumo computacional devido à expansão da IA. Leandro ressaltou que, embora o crescimento dos gastos seja natural no início da adoção, as empresas devem ser disciplinadas em sua operação. É crucial diferenciar entre incentivar o uso para aprendizado e manter um consumo sem retorno mensurável.
Redesenho Operacional da CI&T
Ao falar sobre a transformação interna da CI&T, Leandro mencionou que a empresa não apenas incorporou IA aos processos existentes, mas também redesenhou todo o ciclo de desenvolvimento. A introdução de agentes nos fluxos tradicionais resultou em um aumento de produtividade de até cinco vezes, com alguns grupos internos alcançando ganhos de eficiência superiores a vinte vezes.
Futuro da Interação Digital
Leandro acredita que a mudança não se restringe às operações internas, mas também transformará a forma como os consumidores interagem com produtos digitais. As experiências devem se tornar mais conversacionais e contextualizadas, afastando-se de interfaces tradicionais. "Estamos entrando em uma era de reinvenção", concluiu.
