Na última semana, a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) emitiu um alerta para os operadores de hidrelétricas na região Sul do Brasil, solicitando um reforço nas medidas de segurança diante da expectativa de fortes chuvas no segundo semestre. Essa recomendação se baseia na alta probabilidade da ocorrência de um El Niño de grandes proporções, conforme indicado pela agência reguladora.
Impactos Esperados no Setor Elétrico
Os impactos do El Niño no setor elétrico brasileiro podem ser diversos. Segundo especialistas, além do aumento no uso de usinas térmicas, o fenômeno pode resultar em elevações nas contas de luz e interrupções no fornecimento de energia, causadas por incêndios e ventos fortes. O Climatempo destacou que, com as temperaturas mais altas, o consumo de eletricidade tende a aumentar, principalmente devido ao uso intensificado de aparelhos de refrigeração.
Reservatórios em Situação Crítica
A irregularidade das chuvas pode comprometer os reservatórios, exigindo um planejamento mais rigoroso do sistema elétrico. Existe também o risco de que o início do período chuvoso nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, que concentram cerca de 70% da produção hidrelétrica do Brasil, sofra atrasos. O El Niño foi confirmado pela Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica) dos EUA, que estima uma probabilidade de 63% de um fenômeno de alta intensidade entre setembro e janeiro.
Capacidade de Armazenamento e Consumo
Atualmente, os reservatórios do Sudeste e Centro-Oeste, que são responsáveis por aproximadamente dois terços da capacidade de armazenamento de energia do país, estão com apenas 66% de sua capacidade máxima, o que é considerado o pior índice para este período desde a crise energética de 2021. Embora o Brasil enfrente um excesso de energia durante o dia, pode haver necessidade de eletricidade extra no início da noite, especialmente se as previsões de ondas de calor se confirmarem.
Consequências nas Tarifas de Energia
Com a intensificação do uso das usinas térmicas, os consumidores sentirão o impacto nas bandeiras tarifárias. Victor Hugo Iocca, diretor de Energia Elétrica da Abrace (Associação dos Grandes Consumidores de Energia), afirmou que a probabilidade de bandeira vermelha é maior a partir de agosto. A bandeira vermelha patamar 1 cobra R$ 4,46 a cada 100 kWh, enquanto a patamar 2 chega a R$ 7,87, em comparação à bandeira amarela atual, que é de R$ 1,88.
Medidas Sugeridas e Adaptação do Setor
Iocca sugere que o governo considere ações para mitigar a utilização de térmicas durante o início da noite, como implementar o horário de verão e programas de resposta à demanda, onde empresas são compensadas por reduzirem o consumo em horários críticos. Jerson Kelman, ex-diretor da Aneel e da ANA (Agência Nacional de Águas), destacou a necessidade de adaptação do setor a eventos extremos, que podem ser exacerbados pela combinação do El Niño e mudanças climáticas.
Ele enfatiza que, apesar dos riscos, a situação atual do Brasil é melhor do que na crise de 2001, devido à crescente presença de energia solar e eólica. Para que essas fontes possam auxiliar na segurança energética, é necessário que as hidrelétricas operem de forma mais restrita durante períodos de sol e vento, o que requer negociações com outros usuários da água, como prefeituras e indústrias.
