Após um primeiro trimestre que superou ligeiramente as expectativas, muitos analistas econômicos preveem uma desaceleração gradual da economia brasileira ao longo de 2026. Esse cenário é influenciado por uma política monetária restritiva e possíveis choques externos, como o aumento nos preços do petróleo.

Expectativas de Crescimento

O Banco Central está em alerta, considerando que deve manter as taxas de juros elevadas para conter riscos inflacionários e o impacto dos gastos públicos em um ano eleitoral. Segundo André Nunes, economista-chefe do Sicredi, o Produto Interno Bruto (PIB) deve crescer apenas 0,6% no segundo trimestre, com a desaceleração sendo esperada após o fim do impulso da safra agrícola e a manutenção de juros altos.

Desafios e Previsões

Nunes também destaca que o endividamento das famílias e as incertezas relacionadas às eleições representam desafios para o consumo e investimentos pelo restante do ano. A projeção do Sicredi para o PIB acumulado em 2026 está em 1,9%, com possibilidade de atingir 2% após a divulgação de novos dados. Nunes enfatiza que isso não configura uma recessão, mas sim uma expectativa de crescimento moderado.

Visões de Outros Economistas

Daniel Miraglia, da Integral Group, estima um crescimento de até 0,7% no segundo trimestre, embora a situação possa mudar com uma nova alta nos preços do petróleo. Para o fechamento de 2026, ele projeta um crescimento de 1,5%. A economista Juliana Trece, do FGV Ibre, também vê a pressão inflacionária do conflito no Irã como um fator que pode tornar o Banco Central mais cauteloso na política de juros.

Resiliência da Economia

A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) acredita que a atividade econômica deverá se manter resiliente a curto prazo, mas antecipa uma desaceleração nos próximos trimestres, com um crescimento esperado de 1,9% para o PIB e o setor industrial. José Márcio Camargo, da Genial Investimentos, projeta um crescimento de 0,5% nos próximos trimestres, resultando em uma taxa de 2% para 2026.

Limitações e Oportunidades

Claudia Moreno, do C6 Bank, observa que a atividade econômica está perdendo força gradualmente, com o crescimento acumulado nos últimos 12 meses caindo de 3,6% para 2%. O Banco BV destaca que, embora a economia ainda mostre resistência, os juros elevados limitam os setores dependentes de crédito. A Firjan aponta que a alta taxa de investimento no Brasil, atualmente em 16,5% do PIB, é inferior à média latino-americana e global, o que dificulta o avanço tecnológico e a produtividade.