No mês de abril, a dívida pública do Brasil registrou um crescimento de 1,91% em comparação ao mês anterior, totalizando R$ 8,8 trilhões. Esse aumento é atribuído ao pagamento de juros e ao incremento nas emissões de títulos pelo governo, que se intensificaram em um cenário de volatilidade nos mercados financeiros.
Aumento na Dívida Mobiliária
A dívida pública mobiliária interna subiu 1,93%, alcançando R$ 8,5 trilhões, enquanto a dívida externa teve um incremento de 1,28%, totalizando R$ 335,9 bilhões. Em abril, as emissões da dívida interna somaram R$ 201 bilhões, o maior valor registrado nos últimos 12 meses, enquanto os resgates totalizaram R$ 133 bilhões, resultando em uma emissão líquida de R$ 68 bilhões.
Demanda por Títulos Atrelados à Selic
A volatilidade causada por eventos internacionais, como a guerra no Irã, fez com que os investidores buscassem maior proteção, refletindo em um aumento na demanda por títulos atrelados à Selic. Esses papéis, que seguem a taxa básica de juros, são considerados menos arriscados em comparação aos títulos prefixados, que são mais suscetíveis a variações de preço.
Participação dos Títulos Flutuantes
Em abril, os títulos flutuantes representaram 48,6% do estoque total da dívida, um aumento em relação aos 47,7% do mês anterior. Dados preliminares de maio indicam que esses títulos passaram a compor 69,7% das novas emissões, em comparação a 56% em abril. Essa tendência reflete a busca dos investidores por segurança em um cenário incerto.
Perspectivas do Tesouro e Banco Central
O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Helano Borges Dias, afirmou que o Plano Anual de Financiamento do Tesouro prevê que os títulos atrelados à Selic representem de 46% a 50% do estoque total. Contudo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, alertou que essa dependência pode complicar a política monetária, uma vez que elevações na Selic impactam diretamente a renda dos investidores.
Colchão de Liquidez
A reserva de liquidez do Tesouro, que serve como colchão para a gestão da dívida pública, teve uma recuperação significativa, subindo de R$ 885 bilhões em março para R$ 1,1 trilhão em abril. Esse montante é suficiente para cobrir 8,91 meses de vencimentos de títulos, um aumento em relação aos 5,69 meses do mês anterior.
