No último mês de maio, o IBV Auto, índice que avalia a variação de preços de automóveis leves usados no Brasil, apresentou um aumento de 0,43%, superando a taxa de 0,27% do mês anterior. Esse resultado, embora abaixo da média do trimestre, que foi de 0,72%, reflete um crescimento acumulado de 6,94% ao longo de 12 meses.

Comparação entre tipos de veículos

Um dos pontos mais relevantes da pesquisa é a comparação entre a desvalorização de veículos elétricos e a combustão. Os modelos elétricos lançados em 2023 enfrentam uma desvalorização de 45,6% até maio de 2026. O relatório do BV aponta que essa queda é resultado da diminuição nos preços dos veículos novos e das táticas agressivas das montadoras para impulsionar as vendas desses modelos.

Os veículos híbridos também sofreram desvalorização, mas em menor escala, com uma perda de 25,2%. Em comparação, os automóveis a combustão tiveram uma desvalorização de apenas 20%. Para os modelos de 2022, a situação é ainda mais acentuada: os elétricos desvalorizaram 49,3%, enquanto os de combustão perderam 13,4% em média.

Desempenho do mercado

O economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, comenta que a variação observada em maio está dentro do esperado, indicando que o mercado continua ativo. Segundo ele, a resiliência do consumo está começando a responder de maneira mais sensível às condições financeiras, resultando em flutuações na demanda.

Modelos como o Renault Kwid (4,58%), Honda HR-V (1,85%) e Volkswagen Gol (1,60%) foram fundamentais para a aceleração do índice em maio. Por outro lado, o GM Onix, que havia impulsionado a alta nos meses anteriores, registrou uma queda de 0,36%. Sua versão sedan, o Onix Plus, teve uma retração de 1,39%.

Análise regional

Em termos regionais, o Centro-Oeste se destacou com a maior variação em maio, alcançando 0,99%, com Mato Grosso do Sul liderando com 1,19%. No entanto, a região Norte experimentou a maior queda, de -0,23%, devolvendo parte da valorização registrada em abril, com destaque para Amapá e Tocantins, que tiveram deflações de 0,41%.

No acumulado dos últimos 12 meses, os Estados que mais contribuíram para a alta dos preços foram Rio de Janeiro (7,84%), Paraná (7,42%) e Minas Gerais (7,29%). Em contraste, Espírito Santo (4,91%), Mato Grosso (5,05%) e Santa Catarina (5,27%) mostraram variações mais modestas.