Nesta sexta-feira (5), entrou em vigor a decisão do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, que classifica facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A medida, anunciada em 28 de maio, pode acarretar consequências significativas tanto na economia quanto na geopolítica do Brasil.

Reações do governo brasileiro

O governo brasileiro manifestou descontentamento com essa classificação, argumentando que a decisão pode abrir espaço para que os EUA se intrometam em questões internas sob a justificativa de combate ao terrorismo. O Palácio do Planalto defende que a luta contra o crime deve ser realizada através da cooperação internacional, sempre respeitando a soberania dos países.

Especialistas opinam

De acordo com especialistas consultados, essa medida pode ser vista como uma tentativa de limitar a autonomia brasileira e pode servir de pretexto para intervenções estrangeiras. Além disso, há a preocupação de que essa classificação comprometa a economia nacional, afetando setores como turismo e comércio exterior.

Contexto internacional

O governo Trump já havia designado organizações criminosas de outros países, como cartéis no México e grupos na Venezuela, Equador e Colômbia, como terroristas. A administração americana também criou a coalizão Escudo das Américas, que visa combater o narcotráfico e reduzir a influência econômica de nações rivais, como China e Rússia.

Taxação de importações

Quatro dias após a decisão de classificar as facções, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA recomendou a taxação de 25% nas importações brasileiras, alegando práticas comerciais desleais. O documento critica ainda o sistema de pagamentos brasileiro, o Pix, por impactar negativamente empresas de pagamentos americanas.

Resposta do Brasil

Após os anúncios de taxação, o governo brasileiro contestou as justificativas apresentadas pelos EUA, afirmando que se tratam de medidas protecionistas. O Itamaraty informou que o Brasil pode utilizar a Lei de Reciprocidade para adotar contramedidas comerciais contra países que impõem barreiras unilaterais aos produtos brasileiros no mercado internacional.