A jornalista Izabella Camargo, após um episódio de apagão ao vivo durante sua apresentação, recebeu o diagnóstico de estresse crônico, resultado de anos de pressão no trabalho. Ela revela que normalizava situações prejudiciais, algo comum entre muitas mulheres que lutam para serem reconhecidas em suas funções.

Dados recentes do Ministério da Previdência Social mostram que mais de 546 mil brasileiros foram afastados do trabalho por questões de saúde mental no último ano, com uma predominância de mulheres (63%) entre esses casos. A gerente médica Dulce Brito aponta que essa sobrecarga é um tema cada vez mais presente nas conversas sobre bem-estar.

Desigualdade nas responsabilidades

Um estudo do IBGE revelou que, em média, as mulheres dedicam 21,3 horas semanais ao trabalho doméstico, enquanto os homens gastam apenas 11,7 horas, resultando em uma carga extra significativa para elas. O psiquiatra Pedro Pan destaca que, além do trabalho, as mulheres ainda enfrentam a responsabilidade dos cuidados do lar, exacerbando sua sobrecarga.

As redes sociais têm contribuído para essa pressão, promovendo uma imagem de supermulher que deve dar conta de tudo. Marta Bergamin, socióloga, ressalta que essa expectativa irrealista afeta emocionalmente as mulheres, especialmente em um contexto de crescente violência de gênero. Camargo, em suas palestras, defende a necessidade de repensar essa cultura e estabelecer limites saudáveis no ambiente de trabalho.