Com um crescente número de afastamentos por questões de saúde mental no Brasil, especialmente entre mulheres, especialistas defendem a importância de discutir abertamente o tema. O Ministério da Previdência Social aponta que muitas mulheres têm dificuldades em reconhecer seus limites e expressar suas necessidades.
Sinais de Alerta
Dulce Brito, gerente médica de bem-estar e saúde mental do Hospital Israelita Albert Einstein, destaca que o primeiro sinal de sobrecarga geralmente está relacionado ao sono. Muitas mulheres relatam dormir por longas horas, mas acordam cansadas, um reflexo de um estado constante de alerta.
Segundo Dulce, esse cansaço pode ser resultado de preocupações incessantes, como checar o bem-estar de filhos ou lembrar de tarefas diárias. Além disso, a falta de memória e lapsos de concentração são comuns entre aquelas que estão sobrecarregadas.
Reflexões Necessárias
A jornalista Izabella Camargo, que viveu a experiência do burnout, observa que muitas mulheres só percebem sua sobrecarga quando negligenciam atividades básicas de autocuidado. "Deixar de cuidar de si mesma se torna uma norma, na esperança de recuperar o tempo perdido", afirma.
Para romper esse ciclo, especialistas sugerem reduzir o ritmo de vida, tanto no trabalho quanto em casa. Dulce aconselha que as mulheres se perguntem: "O que eu realmente preciso neste momento?" Esse tipo de autorreflexão é fundamental para o autocuidado.
Pedir Ajuda e Redefinir Prioridades
O psiquiatra Pedro Pan enfatiza a relevância de buscar ajuda, seja no ambiente profissional ou familiar. Ele sugere que as mulheres avaliem suas prioridades e entendam que não há problema em não conseguir dar conta de tudo.
Pan reforça que a busca pela perfeição muitas vezes é irreal e que se inspirar em experiências que aceitam as limitações pode ser libertador. O essencial é reconhecer que cuidar do corpo e da mente não é um ato egoísta, mas uma necessidade.
