Minas Gerais está enfrentando um aumento alarmante nos processos relacionados a racismo, de acordo com dados do Painel de Monitoramento de Justiça Racial do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). O estado registrou um salto de 67 casos em 2020 para impressionantes 852 em 2025, estabelecendo um recorde histórico.
Episódios Recentes Chocam a Sociedade
Casos recentes têm exposto a gravidade da situação, incluindo um incidente em que um argentino foi preso por insultar um menino negro, chamando-o de “escravo”, durante um passeio turístico em São João del-Rei. Além disso, turistas foram flagrados simulando torturas em um pelourinho em Mariana, um ato que revoltou a população local.
Dados do CNJ Revelam Crescimento Acelerado
O painel do CNJ mostra que Minas Gerais teve 67 novos processos de racismo em 2020, aumentando para 181 em 2021. Após uma leve queda em 2022, os números dispararam para 587 em 2024 e alcançaram 852 em 2025. Em 2026, já foram contabilizados 262 novos processos apenas nos primeiros meses.
Perfil das Vítimas
Os dados também revelam que as mulheres são a maioria entre as vítimas, representando 56,6% dos casos. A faixa etária mais afetada é a de 26 a 35 anos, seguida por pessoas entre 36 e 45 anos. A preocupação com as crianças tem ganhado destaque, especialmente após o recente incidente envolvendo um garoto em São João del-Rei.
Redução dos Homicídios de Pessoas Negras
Embora os casos de racismo estejam aumentando, os homicídios de pessoas negras em Minas Gerais estão em queda, de acordo com o Atlas da Violência 2026. O estado passou de 3.412 homicídios em 2014 para 2.069 em 2024, uma diminuição de 39,4% ao longo da última década.
A Necessidade de Políticas Públicas Eficazes
Os dados do CNJ e do Atlas da Violência destacam a urgência de políticas públicas antirracistas. O aumento nas denúncias aponta para uma maior disposição das vítimas em buscar justiça, mas também reflete a persistência do racismo em diversos setores da sociedade. Especialistas afirmam que a redução das violências não pode ser celebrada de forma plena enquanto a desigualdade racial continuar presente.
