No primeiro trimestre de 2026, a economia brasileira apresentou um crescimento de 1,1% em comparação ao mesmo período do ano anterior. Esse resultado positivo contrasta com os três trimestres anteriores, onde o crescimento foi bastante modesto, registrando 0,3%, 0,1% e 0,3%, respectivamente. A desaceleração observada no segundo ao quarto trimestre de 2025 foi em grande parte atribuída à política monetária e fiscal contracionista adotada naquele ano.
Desempenho dos Setores
Os investimentos no país surpreenderam ao crescer 3,5% no primeiro trimestre, e a construção civil acompanhou essa tendência, apresentando um aumento de 2,9%. No entanto, a indústria de transformação não teve um desempenho tão positivo, com um crescimento de apenas 0,1%. A política monetária, que tornou o crédito mais caro, impactou a venda de bens de consumo durável, enquanto a reativação do programa Minha Casa, Minha Vida contribuiu para o bom desempenho do investimento.
Expectativas para o Gasto Público
Em um ano eleitoral, o aumento do gasto primário é uma ocorrência comum, pois o governo busca estimular a economia em busca de benefícios eleitorais. Neste contexto, o gasto primário real, que em 2025 cresceu apenas 1,5%, deve avançar 5% em 2026. Além disso, os empréstimos dos bancos públicos também apresentaram um crescimento significativo na transição de 2025 para 2026.
Projeções Econômicas
O nível da economia nos últimos três trimestres está 1,8% acima do que foi registrado no mesmo período do ano anterior. Com a economia mais robusta no primeiro semestre, espera-se que o crescimento de 2026 em relação a 2025 fique em torno de 2% ou até um pouco mais. Essa expansão deverá ocorrer acima do potencial, o que significa que a taxa de desemprego não deve aumentar. Após uma queda consistente da inflação nos serviços nos últimos 12 meses, agora se espera uma aceleração desse índice.
Desafios Inflacionários
Um indicativo de que o crescimento no primeiro trimestre de 2026 se dá em um contexto de pressão sobre a capacidade produtiva da economia é a redução nas exportações e o aumento nas importações. O impacto da guerra no Irã e o impulso fiscal do ano eleitoral indicam que a inflação pode ser cerca de um ponto percentual maior do que o esperado no final de 2025, com 60% desse aumento relacionado ao conflito e 40% à força da economia. Isso sugere que o Banco Central terá espaço limitado para reduzir as taxas de juros ao longo de 2026.
Perspectivas Futuras
Em 2026, a economia enfrentará juros elevados e condições financeiras desafiadoras, especialmente para pequenas e médias empresas. A tendência de recuperações judiciais não deve diminuir, e os programas de refinanciamento de dívidas, como os do governo federal, oferecem apenas alívio temporário para as famílias. Após as eleições, espera-se uma moderação no crescimento do gasto público, enquanto os juros permanecerão altos devido à inflação persistente, indicando uma reversão cíclica que poderá ser mais severa do que o previsto há seis meses.
