Dandara Zainabo, uma educadora de 28 anos, compartilha sua experiência traumática de cinco anos no sistema prisional do Rio de Janeiro. Como uma mulher trans, Dandara enfrentou desafios únicos durante seu encarceramento, dividindo uma cela em uma unidade masculina. Em liberdade, ela se tornou uma voz ativa na elaboração de propostas para reformar a segurança pública, agora integrando a Global Freedom Consulting Agency.

Uma Nova Abordagem

A Global Freedom Consulting Agency é uma iniciativa da ONG Incarceration Nations Network (INN) e foi apresentada em abril, na Cidade do Cabo, África do Sul, um local simbólico devido ao seu histórico de segregação. Esta é a primeira consultoria de segurança pública do mundo composta por ex-presidiários, com 34 membros de 19 países, incluindo dois brasileiros.

Consultoria com Experiência Real

Os consultores foram selecionados com base em projetos inovadores nas áreas de justiça e segurança. Segundo Baz Dreisinger, fundadora da INN, esses profissionais têm a capacidade de contribuir para a criação de políticas públicas fundamentadas na experiência real do encarceramento, algo inédito na esfera global.

Justiça Restaurativa em Foco

Entre as áreas de atuação da consultoria está a justiça restaurativa, que visa priorizar a reparação dos danos causados por crimes, em vez de se concentrar apenas na punição. Essa abordagem busca engajar vítimas, infratores e comunidades em processos de diálogo para resolver conflitos e reparar danos.

A Luta por Políticas Inclusivas

Dandara critica o atual enfoque das autoridades na segurança pública, que tende a ignorar questões como raça, gênero e desigualdade. Ela defende a criação de um censo penitenciário que contabilize a população trans, com o objetivo de desenvolver políticas mais inclusivas e acolhedoras para esse grupo dentro e fora das prisões.

Impacto Global e Local

Rodrigo Sabiah, outro brasileiro na consultoria, criou uma cooperativa de reciclagem após sua libertação em 2012, focando na reintegração de ex-detentos. Ambos os consultores acreditam que, com suas vivências, podem ajudar a transformar o sistema prisional em um ambiente voltado para a educação e reintegração social, ao invés de um mero mecanismo de punição.