O coordenador do programa de governo de Luiz Inácio Lula da Silva, José Sergio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras, defende que a futura gestão deve focar na soberania e na redução das desigualdades sociais. Com quatro mandatos acumulados, ele afirma que a experiência anterior será fundamental para enfrentar novos desafios.

Desafios e propostas para o futuro

Gabrielli menciona que o documento do plano deverá garantir que o arcabouço fiscal não seja um obstáculo ao crescimento econômico. Além disso, propõe resgatar iniciativas que não foram concretizadas no governo atual, como a criação do Ministério da Segurança Pública e a implementação da tarifa zero no transporte urbano.

Entre as propostas ainda pendentes está a criação de uma Autoridade Nacional Climática, uma promessa da campanha de 2022 que enfrenta resistência até mesmo dentro do governo. O PT lançou uma plataforma digital para receber sugestões ao programa de governo, que ficará disponível até o fim de junho, e já conta com 224 propostas, majoritariamente nas áreas de saúde e educação.

Inteligência Artificial e soberania

Gabrielli alerta para a necessidade de abordar questões como Inteligência Artificial e novas tecnologias de energia. Ele também destaca o envelhecimento da população e suas implicações nas áreas de saúde e educação. No âmbito internacional, ele observa um cenário de decadência do multilateralismo, onde a presença dos EUA é cada vez mais forte.

A soberania é uma preocupação central, com Gabrielli enfatizando a dependência do Brasil em relação a importações de fertilizantes e a importância de discutir soberania energética e tecnológica. No aspecto econômico, o plano defende um novo modelo de crescimento que permita mais investimentos, mesmo dentro das restrições do arcabouço fiscal.

Mobilidade e segurança pública

Gabrielli afirma que é inviável retomar o crescimento econômico com as atuais taxas de juros, e critica a ideia de que aumentar o desemprego é a única forma de combater a inflação. A proposta de passe livre no transporte será abordada como uma meta em conjunto com os municípios.

Para a segurança pública, a criação de uma nova pasta será reavaliada, considerando as mudanças no crime organizado e a infiltração no sistema financeiro. O PT também realizará um seminário sobre a reforma do Judiciário, que incluirá a normatização de penduricalhos e um código de conduta para os ministros do STF.