No bairro Jardim Astro, em Sorocaba (SP), a situação de um edifício residencial embargado se agrava com a denúncia de moradores que afirmam que as obras continuam, mesmo após a interdição oficial. A construção foi paralisada em setembro de 2025, após a trágica morte de um operário, mas, segundo os vizinhos, os trabalhos seguem diariamente.

Denúncias e embargos

A obra, situada na Rua Luiz Celestino Bertanha, nº 205, é responsabilidade da DW Tower TWI Empreendimentos Ltda. O portal de notícias g1 tentou contato com a construtora para obter um posicionamento sobre as denúncias, mas não teve retorno até o fechamento da matéria. A Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Urbano (Seplan) informou que já aplicou multas e reembarcou a obra novamente no dia 22 de maio de 2026. Diante do descumprimento do embargo, o caso será levado ao setor jurídico da prefeitura para a abertura de uma ação judicial.

Investigação do Ministério Público

Além das ações da prefeitura, o Ministério Público também instaurou um inquérito para investigar a situação do local. Segundo o MP, a obra apresenta sérias irregularidades em relação ao projeto original, incluindo construções em áreas de recuo obrigatório. A promotoria estabeleceu um prazo até 25 de julho de 2026 para que a prefeitura forneça informações atualizadas sobre as medidas adotadas.

Tragédia no canteiro de obras

A paralisação inicial da obra ocorreu após a morte do operário Jhonata Ramos Leite, de 34 anos, que caiu durante o trabalho em 19 de setembro de 2025. A queda aconteceu quando o guincho que operava se soltou da estrutura, e sua morte foi confirmada no local por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). O caso foi registrado como morte suspeita, uma vez que não foram fornecidos equipamentos de proteção adequados aos trabalhadores.

Reclamações dos moradores

Os moradores da região manifestam forte oposição à verticalização do bairro, alegando que isso compromete a tranquilidade e o meio ambiente local. Eles denunciam que as obras não apenas são irregulares, mas também causam danos às vias públicas, interditando ruas e acumulando materiais nas calçadas, o que afeta a ventilação e a privacidade de suas residências.

Impacto direto nas residências

Felipe Lopes, um dos moradores que fez as denúncias, destacou que sua casa foi diretamente afetada pelos trabalhos, com danos em telhados, calhas, rufos e até no jardim. Ele relatou que os vizinhos têm aberto reclamações frequentes na prefeitura, mas a situação persiste. “Estão trabalhando todos os dias. Além das irregularidades, temos que lidar com o barulho, a obstrução das ruas e o acúmulo de materiais”, afirmou Lopes.