O Conselho Federal de Medicina (CFM) anunciou a aprovação do uso do ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU) como uma alternativa viável para o tratamento de câncer de próstata localizado. A Resolução CFM N°2.457, publicada em 27 de maio, posiciona o Brasil em conformidade com as práticas internacionais e integra essa tecnologia aos protocolos terapêuticos disponíveis para a doença.
Reconhecimento do método
Esta decisão representa uma mudança significativa no entendimento sobre o HIFU, que utiliza ondas de ultrassom para provocar necrose térmica das células cancerígenas, permitindo a destruição precisa do tumor enquanto preserva áreas saudáveis da próstata. De acordo com o urologista Gustavo Cardoso Guimarães, essa nova regulamentação é um reflexo do amadurecimento das evidências científicas e da experiência clínica acumulada nos últimos anos.
Benefícios do HIFU
A tecnologia HIFU é considerada minimamente invasiva e pode ser aplicada de forma ampla ou focal, dependendo do tamanho e da localização do tumor. O procedimento é guiado por imagens em tempo real, o que possibilita um planejamento tridimensional eficaz e um direcionamento adequado da energia ao local a ser tratado. Um dos principais benefícios do HIFU é a preservação das funções urinárias e sexuais, resultando em menos efeitos colaterais em comparação a tratamentos mais radicais.
Evidências científicas
A consolidação do HIFU como opção terapêutica está ligada ao aumento da produção científica, incluindo estudos realizados no Brasil. Um estudo recente, publicado em março de 2026, avaliou 208 pacientes tratados com HIFU, mostrando altas taxas de sobrevida livre de recorrência em cinco anos. Outros estudos também corroboram a eficácia do método, com resultados semelhantes em diversos grupos de pacientes.
Da cautela à aceitação
A nova decisão do CFM é uma revisão de uma recomendação anterior, que considerava o HIFU apenas para uso em pesquisa clínica devido à falta de evidências robustas. Desde então, o avanço das tecnologias e a publicação de estudos mais consistentes levaram à reavaliação positiva do tratamento.
Critérios de indicação
Embora o HIFU tenha sido reconhecido como uma opção não experimental, especialistas alertam que ele não deve substituir tratamentos tradicionais, como cirurgia ou radioterapia. A indicação deve ser feita de forma individualizada, considerando as características do tumor e as expectativas do paciente. A utilização responsável do HIFU é crucial para garantir resultados positivos.
Perspectivas futuras
A incorporação do HIFU no Brasil poderá expandir o acesso a essa tecnologia inovadora, especialmente em centros especializados. É fundamental que a pesquisa continue, visando estudos comparativos de longo prazo e a definição de critérios de indicação mais precisos, acompanhando a tendência internacional de valorização de terapias menos invasivas, focadas na qualidade de vida dos pacientes.
