Um estudo recente destacou que 27% da população brasileira não tem conhecimento de que o câncer pode ser prevenido. A pesquisa, intitulada "Mais Dados Mais Saúde - Percepções da população brasileira sobre fatores de risco para o câncer", foi realizada por organizações como Umane e Vital Strategies, com apoio do Instituto Nacional de Câncer (Inca).

Fatores de risco subestimados

Embora 90,5% dos entrevistados reconheçam o tabagismo como fator de risco e 88,3% a exposição excessiva ao sol, outros aspectos relevantes, como o consumo de carne vermelha e sedentarismo, são percebidos como menos perigosos. Apenas 27,5% associam a carne vermelha ao câncer, enquanto 48,3% reconhecem o sedentarismo como um fator de risco.

Percepção equivocada sobre genética

Os dados também revelam que a maioria dos brasileiros superestima a influência genética no desenvolvimento do câncer, com 89,4% dos entrevistados acreditando que a herança genética é um fator determinante. Na realidade, estudos indicam que a genética é responsável por apenas 5% a 10% dos casos de câncer, enquanto fatores modificáveis podem prevenir até 40% dos casos.

Impacto do ambiente e da renda

A pesquisa mostra que a percepção de risco e a adoção de hábitos saudáveis variam conforme a renda e escolaridade. Entre pessoas com menor renda, apenas 45,5% reconhecem o sedentarismo como risco, enquanto essa proporção sobe para 59,6% entre os de maior renda. Essa disparidade também se reflete nas ações para combater a obesidade.

Desafios para a prevenção

As pesquisadoras apontam que a crença de que o câncer é inevitável desestimula mudanças de hábitos. Além disso, a falta de ambientes propícios para escolhas saudáveis, como espaços para atividades físicas, contribui para a manutenção de estilos de vida prejudiciais.

Jovens e a alimentação

Os dados sobre o consumo de ultraprocessados entre jovens são alarmantes. Na faixa etária de até 24 anos, 32,3% consomem esses produtos sem intenção de reduzir. A pesquisa destaca a necessidade de integrar ações regulatórias e educativas para promover uma alimentação saudável, especialmente diante da forte presença do marketing de produtos não saudáveis.

Conclusão e recomendações

As pesquisadoras concluem que é essencial incorporar o câncer ao debate sobre doenças evitáveis, enfatizando que a prevenção envolve não apenas ações individuais, mas também mudanças estruturais e políticas públicas efetivas. "Prevenir câncer não é apenas parar de fumar ou fazer mamografia. É reconhecer a importância da alimentação e do ambiente na saúde", afirma a especialista.