O município de Caldas, localizado no Sul de Minas Gerais, está prestes a iniciar um novo capítulo em sua história mineral com a exploração de terras raras. Prevista para começar em 2028, a exploração será conduzida pela empresa australiana Meteoric Resources, que planeja atuar em uma área de 425 hectares. O projeto, denominado "Projeto Caldeira", tem a expectativa de processar 5 milhões de toneladas anualmente, resultando em 15 mil toneladas de carbonato de terras raras por ano.
Impactos do Passado Nuclear
A exploração de terras raras ocorre em um contexto delicado, próximo à antiga mina de urânio das Indústrias Nucleares do Brasil (INB), que esteve em operação na década de 1980 e deixou resíduos radioativos. A unidade da INB, desativada desde os anos 90, abriga 12 mil toneladas de rejeitos, criando um cenário de desconfiança entre os moradores sobre os novos empreendimentos. A memória de impactos negativos ainda é viva entre os habitantes, que temem repetir erros do passado.
Preocupações da Comunidade
Messias Sebastião Guimarães, presidente do Sindicato Rural de Caldas, expressa o receio da população em relação ao impacto que a mineração pode ter na agricultura local, a principal atividade econômica da região. Ele ressalta que é essencial que as autoridades garantam que a exploração não prejudique as famílias que dependem da agricultura, que inclui mais de 900 produtores rurais.
Desafios e Expectativas
A funcionária pública aposentada Vanda Maria de Carvalho Reis, que vive na área rural há 25 anos, compartilha suas apreensões sobre os possíveis efeitos da mineração em sua propriedade. O aumento do tráfego de caminhões e a poeira gerada pela obra são algumas das preocupações que a mantêm em estado de alerta, afetando seus planos para o futuro.
Monitoramento e Segurança
A Meteoric Resources afirma que estudos preliminares não indicaram riscos significativos de radiação e que a exploração será feita de maneira a minimizar impactos ambientais. A mineração será a céu aberto, sem uso de explosivos, utilizando um método que promete recuperação das áreas após a extração. O prefeito de Caldas, Airton Pereira Goulart, destaca que medidas de proteção foram implementadas e que um termo de compromisso com a empresa inclui condicionantes para garantir a segurança da comunidade.
Perspectivas Econômicas
Com a expectativa de gerar 520 empregos diretos, o projeto também promete um impacto econômico significativo para Caldas, que poderá arrecadar cerca de R$ 50 milhões em ISS durante a construção da planta industrial. A prefeitura planeja utilizar parte dos recursos para desenvolver o turismo local e melhorar a infraestrutura rural, buscando um equilíbrio entre progresso econômico e preservação ambiental.
