A possibilidade de um aumento na demanda da China por carne bovina brasileira reacendeu o debate sobre a necessidade de expansão das cotas de exportação para o país asiático. O Ministério da Agricultura (Mapa) informou que o embaixador da China sinalizou a intenção de incrementar as importações de proteína nos próximos anos.
Desafios das Cotas
Atualmente, as exportações brasileiras para a China estão sujeitas a um sistema de cotas que limita a tarifa de importação a 12%, enquanto, após o esgotamento da cota, essa alíquota salta para 55%, o que reduz drasticamente a competitividade do produto brasileiro.
A discussão sobre as cotas ocorre em um momento em que a Austrália já atingiu seu limite anual de exportações para a China e, a partir de agora, enfrentará a tarifa elevada sobre embarques adicionais. O Brasil também se aproxima desse limite, com cerca de 70% da cota anual de 1,1 milhão de toneladas utilizada até abril, segundo a Genial Investimentos.
Janela de Oportunidade
Com o transporte da carne levando entre 50 e 60 dias, a janela para embarques que ainda se beneficiem da tarifa reduzida se encerra em meados de junho. Espera-se que os impactos mais significativos ocorram entre agosto e setembro, com a normalização dos embarques prevista apenas para outubro, quando os exportadores se prepararão para a cota de 2027.
Embora haja sinais positivos do governo chinês, a Genial Investimentos alerta que a ampliação das cotas depende de negociações formais entre Brasil e China. A disposição de Pequim em discutir o assunto deve ser vista como um indicativo diplomático, mas não necessariamente como uma mudança imediata nas regras comerciais.
Perspectivas de Demanda
Para o longo prazo, a expectativa é de que a demanda por carne bovina brasileira continue a crescer, impulsionada pelo aumento da classe média chinesa, que deve dobrar até 2032, alcançando cerca de 700 milhões de pessoas. No entanto, a Genial ressalta que essa potencial demanda não altera suas projeções atuais para as empresas exportadoras.
Impacto nas Empresas
Em relação às empresas do setor, a Genial Investimentos identificou que a Minerva (BEEF3) é a mais exposta ao risco de esgotamento da cota chinesa, mas também a mais preparada para mitigar esses efeitos, com 8% a 9% de sua receita consolidada advinda de exportações para a China. A diversificação geográfica da Minerva ajuda a redirecionar clientes para operações na Argentina, Uruguai e Colômbia, onde não há cota.
A MBRF (MBRF3) apresenta uma exposição limitada ao risco, com apenas 4% de sua receita proveniente de vendas para a China e Hong Kong, enquanto a Marfrig já suspendeu temporariamente embarques para evitar tarifas elevadas, redirecionando volumes para outros mercados, como os EUA. Por outro lado, a JBS (JBSS32), apesar de ter uma exposição considerável à China, possui uma estrutura que lhe permite se beneficiar de outras oportunidades de mercado, com uma parte significativa de seus clientes concentrados na América do Norte.
