A partir desta segunda-feira (6), o Brasil participa de audiências públicas nos Estados Unidos para tentar barrar a proposta de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Essa etapa é fundamental na investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR), que permite que diversos setores apresentem suas considerações antes da decisão final.
A importância do USTR
O USTR é o órgão responsável pela formulação da política comercial americana e realiza investigações sobre práticas comerciais que possam prejudicar a economia dos EUA, podendo recomendar a imposição de tarifas. Durante as audiências, representantes da indústria e do agronegócio brasileiros buscarão convencer os americanos de que a sobretaxa trará danos não apenas ao Brasil, mas também a empresas e consumidores nos Estados Unidos.
Participação do setor produtivo
Entre os representantes presentes, destacam-se entidades como a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Cada um desses grupos apresentará dados e argumentos para demonstrar os impactos negativos que a tarifa teria sobre as exportações e sobre as cadeias produtivas nos dois países.
Argumentos da indústria
A Fiesp argumentará que a tarifa não tem fundamentos técnicos ou econômicos, podendo afetar diretamente setores de alto valor agregado, como máquinas, equipamentos e alimentos industrializados. Estima-se que 31,6% das exportações brasileiras para os EUA seriam impactadas, resultando em um aumento significativo das tarifas que podem chegar a 54,1% quando combinadas com outras já existentes.
Defesa do agronegócio
O agronegócio também se mobiliza, com representantes de setores como café, arroz e açúcar buscando evitar a imposição das tarifas. Eles argumentam que a medida elevará os preços para o consumidor americano e prejudicará a relação comercial, que é considerada complementar. A CNA e outras entidades destacam que os acordos comerciais do Brasil com países como México e Índia são legítimos e não afetam negativamente os EUA.
Próximos passos nas negociações
Além das audiências, equipes técnicas dos governos brasileiro e americano se reunirão para discutir uma nova rodada de negociações antes de 15 de julho, quando Washington deverá decidir sobre a imposição das tarifas. A expectativa é que o Brasil continue sua defesa através de argumentos técnicos e políticos, buscando uma solução que beneficie ambos os lados.




