Nesta sexta-feira (3), o Brasil lançou um novo centro de pesquisa voltado para o desenvolvimento de Insumos Farmacêuticos Ativos (IFAs) utilizando a biodiversidade nacional. A medida busca, ao longo do tempo, diminuir a dependência do país em relação a importações de matérias-primas para a fabricação de medicamentos.
Características do projeto
O Centro de Competência em IFA a partir da Biodiversidade Brasileira (CC-IFABR) será instalado no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), localizado em Campinas (SP). O projeto conta com um investimento de R$ 60 milhões, provenientes da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii) e do Ministério da Saúde.
Fases e áreas de pesquisa
A proposta inicial é concentrar os esforços nos próximos quatro anos apenas nas etapas iniciais da pesquisa, sem a produção imediata de medicamentos. O foco será na identificação de moléculas com potencial terapêutico, aperfeiçoamento dessas moléculas e a realização de estudos pré-clínicos.
As duas áreas de pesquisa escolhidas para começar são tratamentos contra o câncer, especialmente imunoterapia, e terapias voltadas para infecções emergentes. Daniela Trivella, coordenadora do CC-IFABR, mencionou que dois projetos já estão em andamento, um deles investiga uma molécula de uma planta da Caatinga que pode estimular o sistema imunológico, enquanto o outro busca desenvolver uma molécula de um microrganismo para o tratamento de sepse.
Desafios e expectativas
Apesar das promissoras iniciativas, os projetos em andamento não devem resultar em medicamentos disponíveis para pacientes no curto prazo. Após a fase pré-clínica, ainda serão necessários estudos em humanos, aprovação da Anvisa e desenvolvimento de processos de fabricação em larga escala. Alvaro Prata, presidente da Embrapii, destacou a dificuldade em prever quando o projeto poderá efetivamente reduzir a dependência de IFAs importados.
Preocupações sobre patentes
Uma questão importante levantada sobre o uso da biodiversidade brasileira é a proteção de descobertas. O centro tem como estratégia transformar compostos naturais em novas moléculas patenteáveis, com preferência para licenciá-las a empresas brasileiras, garantindo que comunidades tradicionais e pesquisadores recebam a participação legalmente prevista.
Financiamento e futuro do projeto
Os R$ 60 milhões investidos cobrem apenas os quatro primeiros anos e são destinados a estruturar a infraestrutura e desenvolver as pesquisas iniciais. A expectativa é que novos recursos sejam captados com a participação da indústria farmacêutica, mas não há parcerias ou valores confirmados para essa segunda fase. Apesar das limitações atuais, o projeto é um passo significativo na busca por autonomia na produção de insumos farmacêuticos no Brasil.
