Recentemente, um artigo na seção Tendências/Debates da Folha destacou a necessidade urgente de o Brasil avançar na regulamentação de energias renováveis, em especial a cannabis medicinal e psicodélicos terapêuticos. A discussão nos leva a refletir sobre o potencial do país em energias alternativas, como a solar e eólica.
Poder Solar e Eólico do Brasil
O Brasil é um país privilegiado por suas condições climáticas, com alta incidência de sol e ventos favoráveis, além de um extenso território adequado para a instalação de painéis solares e turbinas eólicas. No entanto, a participação dessas fontes limpas na matriz elétrica ainda é muito pequena.
Embora alguns defendam a intermitência dessas energias como um obstáculo, a resposta está na tecnologia de armazenamento de energia com baterias, que permite acumular energia gerada em períodos de sol e vento. Essa solução, embora vista como cara, é fundamental para a viabilidade das energias renováveis.
Custos e Comparações
Críticos apontam o alto custo das baterias, mas é crucial analisar que os subsídios aos combustíveis fósseis, que incentivam o aquecimento global, não são considerados. Estimativas indicam que esses subsídios variam de US$ 1 trilhão a US$ 7,4 trilhões anuais, o que contrasta fortemente com os investimentos em energias limpas.
Além disso, dados da Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) mostram que a energia solar e eólica já estão competitivas em termos de custo. A consultoria Bloomberg NEF revelou que os preços dos sistemas de armazenamento de energia caíram 75% entre 2018 e 2025 e devem continuar a cair.
Exemplo da Bahia
A Irena destacou o potencial da Bahia, onde o custo da energia solar deve cair para US$ 44 por megawatt-hora (MWh) até o final da década. Em comparação, o custo da energia termelétrica com gás fóssil foi de US$ 60/MWh em 2023. O custo das baterias no Brasil em 2025 está estimado entre US$ 88 e US$ 94 por MWh, semelhante a outros países como Alemanha e Austrália.
A Atuação do Governo
Apesar do potencial e das evidências favoráveis, a resposta do governo tem sido lenta. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou um leilão para baterias no dia 22 de maio, mas até o final de maio, essa promessa ainda não se concretizou, evidenciando a necessidade de uma ação mais proativa e imediata.
