No início de 2026, o Brasil surpreendeu ao registrar uma produção recorde de carnes, mesmo após previsões de queda que vinham desde 2025. No primeiro bimestre do ano, a produção atingiu 7,8 milhões de toneladas de carne equivalente carcaça, 7% a mais do que no mesmo período do ano anterior.
Setores em Alta
A cadeia de suínos teve um crescimento de 5,5%, enquanto a produção de carne de frango e bovinos também apresentou aumentos significativos, de 3,6% e 3,3%, respectivamente. Esse crescimento é atribuído ao aumento dos abates, com mais de 10,3 milhões de bovinos enviados para os frigoríficos, o maior número desde 1997.
O setor de suinocultura também se destacou, com 15,3 milhões de suínos abatidos, e o frango alcançou o segundo maior número de abates da história em um primeiro trimestre. O IBGE reportou também uma produção recorde de leite, totalizando 6,8 bilhões de litros, 2,6% superior ao mesmo período de 2025.
Exportações em Alta
A boa performance da produção foi acompanhada por um aumento nas exportações. De janeiro a maio, as vendas de carne bovina para o exterior somaram 1,4 milhão de toneladas, um crescimento de 15% em relação ao ano anterior. As exportações de carne de frango e suína também aumentaram, com 2,45 milhões e 1,43 milhão de toneladas, respectivamente.
Um fator importante para o setor é a cota de importação da China, que permitiu a entrada de 1,1 milhão de toneladas de carne bovina sem a taxa adicional de 55% que será aplicada após o esgotamento dessa cota. A partir de agora, a taxa de 67% será aplicada, impactando as vendas futuras.
Desafios à Vista
No entanto, o cenário não é inteiramente favorável. A União Europeia anunciou que não importará mais carne bovina a partir de setembro, complicando ainda mais as relações comerciais. Embora o governo tente reverter essa situação, as exigências sanitárias europeias representam um desafio significativo.
Nos primeiros cinco meses de 2026, o Brasil enviou 632 mil toneladas de carne bovina para a China e 43 mil toneladas para a União Europeia. Para a carne de frango, as exportações para o bloco europeu também cresceram, mas com a suspensão temporária devido a casos de gripe aviária, o futuro permanece incerto. A combinação de crescimento na produção e novos desafios pode moldar o futuro do setor de carnes no Brasil.
